O mercado brasileiro de lubrificantes em 2025

2
Português
Español/Castellano
English

Revista Lubes em Foco edição 97

Clique na revista e leia, baixe ou compartilhe os artigos:


 

Já é uma marca registrada da revista Lubes em Foco pesquisar e apresentar aos seus leitores uma análise completa dos números do mercado brasileiro de lubrificantes, mostrando o fechamento do ano e a variação percentual com relação ao ano anterior. Assim, também foi feito para o ano de 2025. Trabalhar com os números de mercado, pesquisando junto à ANP e também às maiores empresas do setor foi uma tarefa desafiadora, porém, já bastante conhecida nossa. Entretanto, dessa vez nos deparamos com algumas situações inusitadas e mais complexas, quando precisamos estabelecer uma correlação com o ano de 2024, para determinar a tendência de mercado.

Nova tabela de códigos da ANP exige ajustes retroativos

Ocorre que em 2024, a ANP realizou uma revisão na tabela de códigos, com o objetivo de reduzir as dificuldades das empresas e aumentar a precisão dos dados obtidos. Dessa forma, o mês de outubro de 2024 foi o escolhido para a implantação dos novos códigos que, segundo a Agência, iria reduzir a lista de produtos consideravelmente, melhorando certas classificações, tirando a grande abrangência da categoria “outros”, evitando que alguns produtos pudessem ser classificados em mais de um código e melhorando a análise estatística dos números do mercado.
Sendo responsável também pela apuração de dados referentes à Logística Reversa de Lubrificantes, que engloba metas de coleta estabelecidas pela Resolução Conama nº362/2005, e considerando que a apuração dessas metas tem como base o período de outubro do ano em análise até setembro do próximo ano, nada mais coerente que a introdução dos novos códigos de classificação fosse feita a partir do mês de outubro de 2024. Sim, este pensamento está correto, entretanto, para quem precisa pesquisar os números de mercado referente ao ano calendário, ou seja, de janeiro a dezembro, a situação ficou complexa.

Entre códigos e tendências: os desafios para analisar o mercado

Alguns novos códigos introduzidos em outubro não encontram uma referência direta com as categorias informadas de janeiro a setembro. Os novos números de mercado ficaram mais precisos, mas houve a necessidade de sacrificar temporariamente a visão de tendência do mercado, já que não pode ficar tão claro a variação numérica de cada categoria. Além disso, houve muitas dúvidas iniciais das empresas, com diversos pedidos de reprocessamento de dados, ocasionando alterações retroativas ao longo do ano, mesmo após suas publicações, fazendo com que o passado fosse modificado, trazendo nova realidade ao presente.
Diante desse desafio, nos debruçamos profundamente sobre os números de 2024, entendendo suas modificações e estabelecendo correlações das categorias de óleo e suas variações no tempo, considerando os 12 meses do ano em questão. O resultado pode ser considerado exitoso e, nesse contexto, publicamos nessa edição os números finais de nossa pesquisa para 2025, que passamos a apresentar.

O novo olhar sobre 2025

Vale lembrar primeiramente que os números que passaremos a utilizar nesta análise e nas posteriores, não mais considerarão as categorias de óleos isolantes e óleos de pulverização agrícola, bem com nenhum outro tipo de óleo básico e suas aplicações na indústria (processo, extensores e plastificantes). Os óleos básicos serão analisados separadamente do mercado brasileiro de lubrificantes acabados.
O resultado da análise Lubes em Foco, considerando o acima exposto, é um crescimento de 1,6% do mercado brasileiro de lubrificantes, atingindo um montante de 1.524.596 m3 de óleos lubrificantes acabados.


Para validar esse número como um crescimento de mercado baixo, porém consistente, podemos observar alguns parâmetros nacionais e suas variações, que estão intimamente ligados ao mercado de lubrificantes. São eles, o PIB Industrial que apresentou um crescimento de 1,4%, as vendas automotivas com um aumento de 2,1% e o consumo de combustíveis líquidos que subiu 2,7%, todos em comparação com o ano de 2024.

Participação de mercado – ANO de 2025

Mantendo a tradição, as cinco maiores distribuidoras (TOP 5) detiveram pouco mais de setenta por cento do mercado brasileiro de lubrificantes. A Iconic continuou liderando o mercado com quase 20% de participação, seguida por Vibra, Blueway (Raízen), Moove, Petronas, Castrol, Quaker, Ultrax, Ingrax, Energy Petro e outras (22,68%). Neste contexto, precisamos levar em consideração, a paralização temporária da Moove no início de 2025, devido a um incêndio em suas instalações, e a impressionante rapidez na retomada das operações, que ainda proporcionou assegurar a quarta posição.

Ao olharmos o mercado considerando as principais aplicações dos lubrificantes, encontramos os óleos para motores do Ciclo Otto, liderando com 29,4%, seguidos pelos óleos para motores Diesel com 23,1%, os óleos industriais gerais com 22,8%, os hidráulicos com 13,0% etc… conforme gráfico apresentado.
Vale ressaltar que na classificação industriais estamos juntando as aplicações para correntes de motosserra, engrenagens e sistemas circulatórios, óleos hidráulicos, multifuncionais, têxtil, trabalhos com metais e outros industriais.

Mercado externo: Exportações e Importações

No ano de 2025, o Brasil exportou 74.085 m3 de óleos lubrificantes acabados, gerando uma entrada de divisas da ordem de US$ 168,6 milhões, tendo como principais destinos o Paraguai, responsável por 34,3% das exportações, seguido de Bolívia, Argentina, Uruguai, Venezuela, Colômbia, Chile, Libéria, Peru, Panamá e outros menores.

Já as importações somaram 28.290 m3, com o envio de US$ 100,9 milhões para o exterior, tendo os Estados Unidos como parceiro principal com 37,3%, seguidos de França, Alemanha, Itália, Bélgica e outros conforme apresentados no gráfico.

Os óleos básicos

O mercado total de óleos básicos, movimentados no Brasil chegou no ano de 2025 a um volume de 1.705.614 m3., sendo que deste montante, 26.123 m3 foram destinados à exportação ficando para o mercado brasileiro 1.679.491 m3.
As refinarias brasileiras produziram cerca de 620.260 m3, correspondendo a 36,4% do total do mercado, sendo que a REDUC, situada no Rio de Janeiro, foi responsável por 81,6% dessa produção, com 506.511 m3 de básicos do Grupo I , a LUBNOR, no Ceará produzindo naftênicos ficou com 10,2% e a Refinaria de Mataripe na Bahia, com 8,2%. Enquanto isso, a indústria do rerrefino, contribuiu com 333.884 m3, que representa 19,6% do mercado.


As importações brasileiras de óleos básicos somaram 751.469 m3, o que representou 44,1% do mercado total. Se comparado ao ano anterior, esse volume sofreu uma redução de 6%, entretanto, devemos considerar que 2024 foi o segundo maior volume de importação da história, ficando atrás somente de 2021 que foi a retomada após a pandemia. O Brasil desembolsou assim em 2025 um total de US$489 milhões, considerando o frete e seguro, ou seja, o preço CIF.
Os Estados Unidos mais uma vez foram os grandes fornecedores de óleos básicos ao Brasil, correspondendo a 74,3% das importações brasileiras, seguidos pela Coreia do Sul com 6,6%, Barein com 5,3%, Catar com 5,1%, Malásia com3,1%, Índia com 1,9%, Argentina com 1,5% e outros menores que totalizaram 2,2%.As perspectivas do mercado brasileiro de lubrificantes para o ano de 2026 poderiam se consideradas boas, acompanhando expectativas da indústria automobilística, agronegócio e a indústria como um todo, entretanto, a geopolítica mundial tem apresentado aspectos críticos e sensíveis, que podem fazer com que eventos disruptivos podem impactar preços e fontes de suprimentos, desviando bastante as projeções iniciais. Enquanto escrevemos essa matéria, o mundo assiste a guerras, restrições de fornecimento, disparada de preços e outros fatores imprevisíveis, que mudam radicalmente o rumo dos acontecimentos. A inflação é outro parâmetro que dificulta a eficiência e o apetite por investimentos. Nessas horas, a cautela manda a indústria se prevenir com estoques de segurança, evitar endividamentos e fazer um acompanhamento minucioso para traçar as melhores estratégias para seus negócios. No segmento de lubrificantes, a revista Lubes em Foco manterá sempre seu olhar atento para trazer as melhores informações sobre tecnologias e mudanças de mercado para atualizar seus leitores.