Até 2025, carros a combustão e elétricos terão preço igual

Redução do custo final das baterias vai permitir a equiparação dos valores.

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Juliano Mendes é gerente de negócios da Moura, que produziu a primeira bateria de lítio para ônibus elétricos

Carros a combustão e elétricos

Até 2025 é provável que o preço dos carros elétricos se equipare ao de modelos a combustão. A previsão foi divulgada pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) durante o 15º Salão do Veículo Elétrico. A projeção toma por base em um estudo da Bloomberg. Essa diferença vai cai sobretudo por causa da redução do preço das baterias.

“Em 2015 elas representavam cerca de 55% do valor do carro e em 2025 essa parcela estará abaixo de 25%”, afirmou o responsável técnico da área de sistemas de energia do CPQD, Raul Beck.

 

Dados obtidos pelo centro de pesquisa estimam que em 2025 a venda de carros elétricos na Europa chegará a 170 mil unidades, cerca de quatro vezes a mais do que a projeção para 2019.

“Com subsídios governamentais, carros com baterias com preço igual a US$ 100 por quilowatt/hora já se equiparam em valor aos modelos a combustão. Se o preço da bateria cair a US$ 80 por quilowatt/hora os incentivos fiscais deixam de ser necessários”, disse Beck durante o Congresso de Mobilidade realizado durante o Salão do Veículo Elétrico.

Outro palestrante do evento foi o gerente de negócios da fabricante de baterias Moura, Juliano Mendes. Sua empresa mostrou recentemente a primeira bateria de lítio para ônibus elétricos. Ela equipa um veículo de 15 metros fabricado pela Eletra. “A bateria foi produzida em parceria com a Xalt Energy porque temos em vista o mercado de veículos pesados”, afirma Mendes. “Sempre nos envolvemos em pesquisas, mesmo com as baterias chumbo-ácidas. Hoje conseguimos vender nossa tecnologia para fora”, recorda o executivo.

Eletrificação e faturamento

Outro palestrante do congresso foi o gerente da Bosch para novos negócios em eletrificação na América Latina, Alexandre Uchimura.

“A estratégia da Bosch prevê soluções flexíveis, capazes de ser instaladas na dianteira, no centro ou na traseira do veículo. Queremos fornecer soluções prontas. Quanto mais features acrescentarmos ao nosso produto, menos o cliente terá de pôr a mão”, recorda Uchimura.

 

O executivo revela que o negócio é promissor: “Em 2025 a companhia pretende faturar € 5 bilhões com eletromobilidade”, diz. Atualmente, a Bosch produz componentes para veículos leves (automóveis) e ultraleves (bicicletas e scooters) movidos a eletricidade.

Esses itens são fabricados na Alemanha e na China. “Ainda não é possível falar em produção no Brasil, nossa primeira intenção é monitorar, fazer a prospecção do mercado local”, conclui o executivo.