Honda: “apostar só em elétricos pode criar um privilégio apenas para os ricos”

Executivo diz que os governos devem incentivar diferentes tecnologias para substituir os carros a combustão

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A transição energética para a mobilidade elétrica não é uma mudança fácil para as montadoras e nem para os mercados, inclusive o Brasil. Pelo menos não em um prazo tão curto como o que alguns governos têm proposto. Na contramão dessa rápida mudança, a Honda apela ao governo do Reino Unido para diminuir seu foco exclusivo em carros elétricos e rever a importância dos veículos híbridos. A empresa acredita que os elétricos não são “uma bala de prata” e não deveriam substituir os motores movidos a gasolina até 2035.

O vice-presidente sênior da Honda Europe, Ian Howells, escreveu um artigo que foi publicado no blog Conservative Home. De acordo com uma matéria recente da Autocar, parece que a esperança era que a postagem do blog oficial da Honda fosse lida por funcionários do governo britânico. Ele pressiona por uma “abordagem de múltiplas vias” em direção a emissões zero até 2050.

Honda VE-1 Sport

Howell sugere uma ampla gama de tecnologias para trabalhar em direção a uma meta de reduzir e, eventualmente, eliminar as emissões de CO2. No entanto, sua abordagem visa manter os clientes satisfeitos e os carros mais baratos acessíveis a todos. O executivo acredita que os elétricos não são a única resposta, e o governo não deveria se prender a uma única tecnologia.

O executivo da Honda definitivamente espera que os carros elétricos prosperem, mas também espera que haja uma mistura de veículos elétricos a bateria, híbridos, a hidrogênio e outros combustíveis líquidos. Howell escreve:

“Desafios em torno de acessibilidade, infraestrutura e limitações de tecnologia significam que o governo não pode depender exclusivamente de veículos elétricos para substituir completamente os motores de combustão interna até 2035, se também não pretende restringir a escolha do consumidor.”

“Uma abordagem que depende apenas de carros elétricos caros corre o risco de transformar dirigir em um privilégio concedido apenas aos ricos, ao mesmo tempo em que deixa de lado a mobilidade pessoal aqueles que mais precisam.” 

Ele também não acredita que os elétricos possam alcançar a paridade de preços com os carros a gasolina em 2035 e cita um estudo que apoia suas afirmações. Isso sugere que nenhum elétrico chegará a esse ponto em 2035, e veículos maiores, como SUVs, levarão muito mais tempo para atingir a paridade. Howell também fala sobre a distribuição desigual da infraestrutura de carregamento pública como um problema futuro, bem como a falta de matéria-prima para carros elétricos.

Finalmente, Howell diz que a tecnologia da bateria está atingindo um limite de potência e desempenho. Instalar baterias maiores aumenta o peso e custa mais, mas são necessárias para maior autonomia e melhor desempenho. A Honda claramente não seguiu esse caminho com seu Honda e totalmente elétrico de curto alcance, que oferece cerca de 160 quilômetros de autonomia. E também escolheu o mesmo caminho com seu Honda Clarity Electric, que tinha apenas 145 km de autonomia, foi vendido em volume limitado em poucos locais e acabou sendo descontinuado após o ano modelo 2019.

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