Renault ganha mais força na AL em plano estratégico da aliança com a Nissan

Novo modelo de negócio reforça a especialização de cada marca por região e produtos

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Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi
A partir da esquerda: Clotilde Delbos, CEO interina da Renault, Jean-Dominique Senard, presidente do conselho da Aliança e da Renault, e Hadi Zablit, secretário geral da Aliança, durante anúncio do novo plano estratégico global

Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi

Um novo modelo de negócio anunciado na quarta-feira, 27, pelo Grupo Renault vai mudar consideravelmente o papel de cada uma das marcas da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi. O foco será aumentar a competitividade e a lucratividade das três empresas parceiras. A estratégia denominada líder-seguidor (leader-follower) prevê que cada companhia seja a referência para as demais dependendo da região e produtos, tendo como base a especialização de cada uma da aliança. No caso da América Latina, a Renault será a referência (líder) e a Nissan e a Mitsubishi serão as seguidoras.

Ainda de acordo com o plano estratégico global, na América Latina, as plataformas de produto B (hatches, sedãs e SUVs compactos) serão reduzidas, passando das quatro variantes atuais para apenas uma. Esta mesma plataforma será feita em duas fábricas e ambas vão produzir modelos Renault e Nissan.

A Renault também será a líder para as parceiras na Europa, Rússia e Norte da África, enquanto a Nissan será a referência na China, América do Norte e Japão. Por sua vez, a Mitsubishi vai liderar as demais parceiras na Oceania e na região ASEAN, bloco econômico do Sudeste Asiático e que integra mercados como Cingapura, Filipinas, Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, entre outros.

EMPODERANDO EXPERTISES

 

Além da regionalização, que dará maior protagonismo para uma das três na parceria, também haverá especialidades em produtos, cada uma responsável por uma competência de desenvolvimento. Entre as determinações, na Europa, após 2025 a renovação do segmento C-SUV (SUVs médios-compactos) será liderada pela Nissan, enquanto a futura renovação do segmento B-SUV (SUVs compactos) será liderada pela Renault.

Já no Japão e Sudeste da Ásia, as empresas da Aliança continuarão focando em oportunidades específicas seguindo a mesma estratégia, como na colaboração entre a Nissan e a Mitsubishi Motors em alguns segmentos chave.

“Este novo modelo de negócios permitirá destacar as vantagens de cada empresa e as capacidades de performance, tirando proveito de suas respectivas culturas e legados. As três empresas da Aliança cobrirão todas as tecnologias e segmentos automotivos, em todas as regiões, beneficiando todos os clientes e aumentando suas respectivas competitividade, lucratividade sustentável e responsabilidade socioambiental”, declarou Jean-Dominique Senard, presidente do conselho operacional da aliança e presidente do conselho de administração da Renault.

 

A Aliança calcula reduzir em até 40% os investimentos (custos) para modelos de veículos que serão produzidos por meio de sua nova estratégia, uma vez que as três parcerias vão ampliar ainda mais a exploração dos benefícios já existentes em áreas como compras conjuntas.

Além disso, a estratégia leader-follower prevê a liderança tecnológica da seguinte forma: a Nissan vai conduzir o desenvolvimento de direção autônoma, a Renault vai liderar as tecnologias para veículos conectados por meio da plataforma baseada no sistema Android, exceto na China, que será território da Nissan.

A Renault também vai conduzir o desenvolvimento de plataformas/arquitetura para veículos elétricos (e-body) e o powertrain elétrico (ePT) para veículos CMF-A e B, enquanto a Nissan fica responsável pelos modelos de plataforma elétrica CMF-EV, bem como seus propulsores elétricos.

Por fim, a Mitsubishi será líder para modelos de veículos híbridos plug-in (recarregáveis) nos segmentos C (sedãs médios) e D (sedãs grandes e outros veículos grandes).