Dólar amplia queda contra o real em meio a expectativas de corte de juros nos EUA

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SÃO PAULO (Reuters) – O dólar ampliava suas perdas contra o real nesta sexta-feira, em meio a mais um dia de fraqueza da moeda norte-americana contra divisas de risco, tendo de pano de fundo dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos que reforçaram apostas de mais corte de juros pelo Federal Reserve este ano.

Por volta de 12h18, o dólar à vista cedia 0,79%, a 4,0574 reais na venda.

Na mínima intradia, a cotação chegou a tocar 4,0529 reais, menor nível de meio de pregão desde 13 de setembro e pouco abaixo da média móvel de 200 dias (4,0556 reais), que se perdida de forma consistente tende a estimular mais vendas da moeda.

Na B3, o dólar futuro tinha queda de 0,78%, a 4,0610 reais.

A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos foi moderada em setembro, com a taxa de desemprego caindo para perto da mínima de 50 anos de 3,5%. Analistas esperavam mais abertura de postos de trabalho e uma taxa de desemprego levemente maior.

“Em um primeiro momento, a leitura é baixista para o dólar. Há a continuidade de apostas em novos cortes de juros do Fed, que melhora a relação risco/retorno para se investir em mercados emergentes”, afirmou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

Outras moedas pares do real, como rand sul-africano e peso mexicano, também se valorizavam contra o dólar, em dia em geral positivo para moedas emergentes.

As atenções se voltam agora para a fala do chairman do Fed, Jerome Powell, às 15h (horário de Brasília), para mais sinais sobre o posicionamento do banco central norte-americano diante dos novos dados dos EUA.

Segundo operadores, expectativas de volta do fluxo de recursos ao país, decorrentes dos leilões de petróleo e de operações de empresas, também têm ajudado a pressionar o dólar contra o real.

Entre outubro e o início de novembro, o Brasil realizará três leilões de áreas de petróleo e gás, sendo dois no pré-sal, com expectativa de arrecadação superior a 110 bilhões de reais, caso todas as áreas sejam arrematadas.

“O mercado mensura que vai entrar bastante dólar no país, e isso reduz a necessidade de comprar do BC a preços mais pressionados”, acrescentou Silva.

Nesta sessão, o Banco Central não vendeu nenhum contrato de swap reverso de oferta de até 10.500 contratos, assim como não vendeu dólares em leilão à vista, de oferta de até 525 milhões de dólares. Por outro lado, a autoridade monetária colocou todos os 10.500 contratos de swap cambial tradicional ofertados para rolagem do vencimento dezembro de 2019.