PSA e FCA têm lucro em 2020 e esperam margem de 5,5% a 7,5% em 2021 juntas na Stellantis

Antes da fusão, as duas empresas apuraram resultado operacional somado de € 7,1 bilhões, com margem de 5,3% sobre faturamento combinado de € 134,3 bilhões

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PSA e FCA têm lucro em 2020PSA e FCA têm lucro em 2020

Após concluir a fusão em janeiro passado, FCA e PSA divulgaram simultaneamente na quarta-feira, 3, os seus balanços financeiros de 2020, que pela última vez foram apresentados separadamente. Apesar de abaladas pela pandemia com queda de produção, faturamento e lucros na comparação com 2019, as duas companhias conseguiram fechar o ano no azul, com resultados sólidos, e já projetam chegar ao fim do primeiro ano de existência da Stellantis com significativo aumento na margem operacional de lucro, que em 2021 deverá girar entre 5,5% e 7,5% sobre as receitas líquidas, isso se a evolução da Covid-19 no mundo não causar novas paralisações, segundo pondera o comunicado da empresa.

Apesar de os dois grupos terem apurado lucro em 2020, o balanço da PSA foi mais lucrativa em meio ao cenário adverso, com Ebit (lucro antes de impostos e despesas financeiras) de € 3,4 bilhões (retração de 32,5% sobre 2019), que resultou em expressiva margem operacional de 7,1% sobre o faturamento líquido de € 47,6 bilhões (-19,2%). Já a FCA apurou Ebit quase igual, de € 3,7 bilhões, mas com queda bem maior, de 44%, sobre o ano anterior, que equivaleu à margem também muito menor, de 4,3%, sobre receitas bem maiores que as da parceira, somando € 86,7 bilhões, em recuo de 20% na comparação com um ano antes.

A PSA teve queda maior das vendas em unidades (-27,8%) em relação a 2019, com 2,5 milhões de veículos entregues aos clientes no mundo todo, enquanto a FCA vendeu quase 1 milhão de unidades a mais, 3,4 milhões, em queda de 22% ante o ano anterior. Mesmo assim, apesar de vender muito menos, o lado francês da Stellantis obteve resultados financeiros mais robustos que do lado ítalo-americano.

O lucro líquido contabilizado pela PSA em 2020 somou € 2,34 bilhões, em queda de 19% sobre 2019, enquanto o resultado líquido ajustado da FCA chegou a € 1,86 bilhão e caiu bem mais, com forte retração de 57% ante o ano anterior. Contudo, após a contabilização de provisões para despesas extraordinárias – como pagamento de multas nos Estados Unidos e custos de reestruturação de negócios – a FCA declarou fechou seu balanço de 2020 no “equilíbrio financeiro”, sem lucro nem prejuízo.

Fazendo a soma simples dos dois balanços, a Stellantis nasce com uma herança de 5,9 milhões de veículos vendidos em 2020, faturamento combinado de € 134,3 bilhões e lucro operacional de € 7,1 bilhões, resultando em margem de 5,3%. Mas segundo Carlos Tavares, CEO do novo grupo, a Stellantis será mais do que a soma de FCA e PSA, pois as sinergias devem reduzir custos de produção e tornar a empresa mais lucrativa.

“Estes números divulgados hoje demonstram a solidez financeira da Stellantis, unindo duas empresas fortes e saudáveis. A Stellantis decola para um ótimo início e está totalmente focada em alcançar todas as sinergias prometidas”, afirmou Carlos Tavares.

 

Resultados invertidos na América Latina

Se globalmente a PSA foi mais lucrativa em 2020 que sua sócia na Stellantis, na América Latina acontece exatamente o contrário. A FCA vende muito mais na região (sem contar o México), com 475 mil veículos comercializados no ano das marcas Fiat, Jeep, Ram e Dodge, em retração de 17,7% sobre 2019, mas com participação que cresceu 3,4 pontos no quarto trimestre, para 17,8% – resultado sustentado pelo Brasil, onde a fabricante é líder de vendas com market share que nos últimos três meses do ano avançou mais de 5 pontos, para 24,2%.

A PSA tem atuação bem mais tímida na América Latina. Em 2020 as quatro marcas do grupo vendidas na região (Peugeot, Citroën, DS e Opel) venderam o total de 95 mil veículos, em forte queda de 30% sobre o ano anterior. O volume representou participação de mercado de apenas 2,6% (quase os mesmos 2,7% de 2019). Com vendas bem menores do que as da FCA, o tombo da PSA foi muito maior nos mercados latino-americanos.

Ao contrário da PSA, a FCA também divulgou os resultados financeiros na América Latina, que depreciados principalmente pela forte desvalorização cambial do real, não foram altos, mas ao menos não foram negativos. O faturamento líquido na região convertido somou € 8,5 bilhões, em retração de 37,6% sobre 2019. Fortemente afetado pelo câmbio desfavorável, o Ebit de apenas € 6 milhões caiu 99% em relação ao ano anterior, quando foi de € 501 milhões, e assim a margem de lucro operacional caiu de 5,9% para 0,1% entre um ano e outro.