Produção de motos em Manaus cai pela metade com nova onda de Covid-19

Honda parou duas vezes no mês e outras fábricas reduziram ritmo; consorciados ainda vão amargar espera

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Produção de motos em ManausProdução de motos em Manaus

A produção de motos em Manaus (AM) caiu quase pela metade em janeiro. Foram 53,6 mil unidades, contra 100,3 mil fabricadas no mesmo mês do ano passado. Na comparação com dezembro, a queda foi de 27%. O principal motivo foi a paralisação da fábrica da Honda em dois momentos diferentes em janeiro. A empresa responde sozinha por cerca de 80% da produção de motos no País.

Outras fábricas de motos também foram afetadas neste início de ano. As informações são da Abraciclo, entidade que reúne as indústrias de motos e bicicletas instaladas em Manaus. O motivo da queda foi o aumento do número de casos de Covid-19 no começo do ano, que levou o governo do Amazonas a impor restrições à circulação e instituir o toque de recolher.

“Essas restrições levaram muitas fabricantes a reduzir suas jornadas e trabalhar em um único turno. Além disso, tivemos paralisações temporárias em algumas empresas pela falta de insumos”, afirma o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

 

Como consequência, o executivo informa que a indústria ainda levará algum tempo para reduzir a fila de espera de cerca de 150 mil motos, a maioria adquirida por consórcio.

Fermanian informa ainda que o setor esperava atender parte dessa demanda agora, mas o aumento dos casos de Covid-19 impediu que o ritmo de produção se mantivesse como nos últimos meses de 2020. O problema ocorre desde o primeiro semestre do ano passado.

Com a queda na atividade das fábricas, o ritmo das vendas no atacado (das montadoras para as concessionárias) também recuou bastante. Em todo o mês de janeiro foram repassadas à rede apenas 47,4 mil motos, volume 36,2% menor que o do mesmo mês do ano passado. Na comparação com dezembro a retração foi de 47,8%.

Exportação reinicia retomada

Neste começo de 2021, as fabricantes instaladas em Manaus enviaram ao mercado externo 3,9 mil motos, anotando aumento de 129,5% sobre janeiro do ano passado. De acordo com a Abraciclo, até o fim do ano as vendas externas devem somar 40 mil unidades, o que resultaria em alta de 18,5% sobre o ano passado, quando os embarques somaram 33,7 mil motos.

Contudo, o volume da nova projeção ainda é baixo, pouco mais do que as 38,6 mil motos enviadas ao mercado externo em 2019. Isso ocorre porque o principal destino das motos brasileiras continua sendo a Argentina, que ainda sente os efeitos de uma crise econômica iniciada antes da pandemia. Como comparação, os embarques totais de 2018 somaram 81,8 mil motos.

Varejo teve boa média diária

Janeiro de 2020 teve 85,8 mil motocicletas emplacadas, uma queda de 6,4% na comparação com janeiro do ano passado, quando o mercado ainda não sentia os impactos da Covid-19. No confronto com dezembro a queda foi de 13,1%. Um dado importante em relação ao mercado interno é que a média diária de emplacamentos neste começo de ano foi de 4,3 mil unidades, número próximo aos alcançados tanto no início como no fim de 2020.

Na segunda quinzena de janeiro a Abraciclo divulgou seu balanço de 2020 e as novas projeções para 2021. Este ano, a indústria de Manaus estima fabricar 1,06 milhão de motocicletas, o que resultaria em alta de 10,2% sobre o total de 2020.