Montadoras e fornecedores discutem plano de recuperação na Europa

Reunião com Comissão Europeia pede estímulos para uma retomada com economia verde

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Os líderes de todas as montadoras associadas a Acea, entidade das fabricantes de veículos na Europa, bem como os representantes da Clepa, associação de fornecedores automotivos na região, se reuniram com o vice-presidente executivo da comissão europeia para a indústria e economia verde, Frans Timmermans, e com o comissário para o mercado interno, Thierry Breton, para elaborarem juntos um plano de recuperação para o setor automotivo pós-pandemia, com foco em estimular não só a economia em geral, mas garantir uma transformação da sociedade baseada no que se chama de economia verde, utilizando novas tecnologias de baixas ou zero emissões.

Com o fechamento prolongado das fábricas na Europa e a perda na produção de 2,4 milhões de veículos até o momento, as vendas de automóveis e comerciais leves caíram mais de 95% nos principais mercados da União Europeia (UE) em abril e com isso todo o setor corre o risco de escassez da liquidez ao mesmo tempo em que ainda vê seu desempenho ameaçado pelos próximos meses. Segundo as entidades, a situação na indústria automotiva pode ainda ter um efeito significativo em outras áreas da economia.

A indústria automotiva emprega 13,8 milhões de pessoas, direta ou indiretamente, representando 6,1% de todos os empregos na União Europeia, enquanto o volume de negócios gerado pelo setor representa mais de 7% do PIB da UE.

“A prioridade número um do setor é relançar o mercado, permitindo assim a retomada da produção nas fábricas da União Europeia. Dado o colapso quase total das vendas, será crucial fornecer um forte estímulo de mercado para permitir que os fabricantes de veículos reabram totalmente as fábricas e mantenham as pessoas nos seus empregos”, afirmou o diretor geral da Acea, Eric-Mark Huitema.

 

No encontro, a Acea e a Clepa solicitaram à Comissão Europeia que coordenasse os trâmites nacionais para uma renovação de frota que possa garantir que as condições do mercado sejam harmonizadas em todo o continente e que possam ser complementadas com o orçamento da UE.

As duas associações demonstraram que na situação atual, embora a produção de veículos e componentes esteja recomeçando lentamente, há grandes discrepâncias dessa reabertura da indústria entre os estados membros da UE, o que segundo as empresas, está dificultando a recuperação da indústria, que depende da cadeia de suprimentos, que se estendem por todo o continente europeu. Os CEOs reforçaram seu pedido de um reinício coordenado das atividades e investimentos ao longo de toda a cadeia de valor.

“Enquanto trabalhamos para recolocar as rodas em movimento, precisamos procurar soluções em que todos saiam ganhando, atendendo às necessidades ambientais, industriais e sociais mais amplas. O objetivo das medidas de recuperação deve, portanto, ser duplo: reiniciar o setor e empregar toda a gama de soluções tecnológicas disponíveis e necessárias para a neutralidade do carbono e em conjunto com os investimentos em energia renovável e infraestrutura, impulsionar a economia verde, bem como salvaguardar o emprego e a atividade industrial na Europa”, disse o secretário geral da Clepa, Sigrid de Vries.