Nissan e Ipen vão testar etanol em célula de combustível

Montadora e instituto firmaram acordo para viabilizar comercialmente a alternativa

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Wilson Calvo (à esq.), diretor do Ipen, e Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil, durante assinatura do acordo

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Nissan e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) firmaram acordo para desenvolvimento do uso de etanol em veículos movidos a célula de combustível. O documento foi assinado pelo presidente da montadora no Brasil, Marco Silva, e o diretor do instituto, Wilson Calvo, na Universidade de São Paulo (USP).

A intenção é viabilizar comercialmente o uso de Células de Combustível de Óxido Sólido (SOFC), capazes fornecer autonomia superior a 600 quilômetros utilizando apenas 30 litros de etanol.

O projeto dá continuidade aos testes realizados no Brasil entre 2016 e 2017 com minivans e-NV200 desenvolvidas no Japão para o uso de álcool. O novo acordo é o segundo do tipo firmado pela Nissan em 2019. O primeiro ocorreu em abril na Unicamp.

“A assinatura do contrato representa uma nova fase do projeto global de SOFC da Nissan, que é de grande interesse no País por se encaixar na nossa matriz energética”, afirma Marco Silva.

 

O executivo quer mostrar que o conceito é economicamente viável, mas admite que os carros com esse tipo de propulsão não estarão à venda nos próximos cinco anos.

Silva não divulga o investimento no projeto com o Ipen. Diz apenas que está dentro do orçamento da matriz destinado a pesquisas como esta. O desenvolvimento a ser feito pelo instituto contará com testes de bancada. Serão utilizados componentes diferentes daqueles testados no e-NV200.

O presidente da Nissan recorda que outras montadoras veem o hidrogênio aplicado em células de combustível como fonte geradora de energia, mas ressalta o pioneirismo da Nissan ao combinar essa tecnologia com o uso do combustível renovável.

“Morei muito tempo em Piracicaba (SP), por isso valorizo as questões ligadas ao etanol. Sabemos também que a eletrificação não tem uma resposta única e diferentes alternativas vão conviver”, conclui Silva.