Economia brasileira – Indústria e Investimentos fazem PIB recuar

Os problemas políticos do país atrapalham o desempenho da economia.

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Desempenho ruim da economia brasileira

O desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano frustrou expectativas de que o país poderia sair mais rapidamente da recessão, e a dificuldade em deixar a crise para trás já leva economistas a prever que a atividade econômica continuará retraída no início de 2017.

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Indústria de transformação foi uma das mais afetadas no 3º tri
BBC Brasil

O PIB (Produto Interno Bruto) recuou 0,8% no período de julho a setembro, em comparação com os três meses anteriores, informou o IBGE nesta quarta-feira, dia 30 de novembro. Foi a sétima queda consecutiva do PIB, na mais longa sequência de retrações verificada pelo instituto desde o início da atual série estatística, em 1996.

Queda nos grandes grupos da economia

A queda da atividade ocorreu em todos os grandes grupos da economia, do consumo ao investimento, da indústria à agropecuária, dos serviços ao setor público. “A economia voltou a piorar”, disse o economista Igor Velecico, do Bradesco. “Estamos mais distantes da saída da recessão”, afirmou Silvia Matos, da FGV.

O resultado frustrou expectativas de que a economia estaria começando a reagir. Os investimentos e a indústria tiveram ligeira alta no segundo trimestre, acendendo o otimismo de economistas, investidores e empresários.

Mas a atividade não voltou, em meio a turbulências no campo político, desemprego em alta e consumo deprimido. A indústria recuou 1,3%, e os investimentos caíram 3,1%.

Regresso a 2010

Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullet Prebon Brasil, observa que, com o resultado, a economia brasileira encolheu para o tamanho de seis anos atrás e está no mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010.

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O consumo das famílias completou um ano e nove meses de retração. Segundo Rebeca Palis, do IBGE, porém, as contrações do consumo foram piores no início do ano, e o ritmo de encolhimento do PIB parece menos intenso.

Para Velecico, os dados do último trimestre do ano não encorajam perspectivas otimistas sobre o consumo. A demanda das famílias deve voltar a cair com mais força, no embalo de uma piora aguda do mercado de trabalho.

O analista do Bradesco diz que o PIB do terceiro trimestre ilustra como é lenta a retomada da atividade, mais difícil que se esperava há três meses. Ele calcula que o PIB cairá 3,6% neste ano e também reviu a previsão de crescimento em 2017, de 1% para 0,3%.