Problema sanado no Brasil faz franceses desistirem do etanol como combustível

Vendido como alternativa mais barata na França, E85 foi moda por lá, mas empacou numa questão bem conhecida dos brasileiros

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Franceses desistem do etanol
Fonte: Pixabay

Franceses desistem do etanol

Franceses desistem do etanol – Recentemente na França, o E85, uma mistura de 85% de etanol e 15% de gasolina, emergiu como uma alternativa vantajosa diante do encarecimento dos combustíveis convencionais. A instalação de um simples kit de conversão em oficinas especializadas habilitava os veículos a utilizarem esse combustível mais econômico, prometendo economias significativas para os motoristas, especialmente considerando a disparidade de preços na bomba. Em 2023, enquanto diesel e gasolina gravitavam em torno de 2 euros por litro, o E85 mantinha-se vantajosamente abaixo de 1 euro.

No entanto, o entusiasmo inicial pelo etanol, que culminou na venda de aproximadamente 85.000 kits de conversão em 2022, pareceu arrefecer significativamente em 2023. De acordo com a revista Enquêtes d’Actu, a procura por esses kits decresceu acentuadamente, um fato corroborado por Aubin Desoteux-Gilson, da SNPAA.

Essa redução no interesse pode ser atribuída às dificuldades técnicas enfrentadas pelos motoristas no uso cotidiano do E85. Especificamente, a ignição em baixas temperaturas revelou-se um desafio considerável devido às propriedades físico-químicas do E85, que não se vaporiza adequadamente em climas frios, impedindo a ignição eficaz do motor. Como consequência, muitos motoristas têm retornado às oficinas para reverter a conversão para E85.

A questão crucial permanece: trata-se de um revés temporário ou de uma desistência definitiva dos motoristas em relação ao combustível vegetal?

É pertinente ressaltar que, no Brasil, os desafios de ignição a frio com etanol foram superados há décadas. Originalmente, injetores manuais de gasolina auxiliavam na partida durante os anos 70, posteriormente substituídos por injetores automáticos. Nos últimos 15 anos, o pré-aquecimento do etanol otimizou o desempenho dos veículos flex. Em contraste, os veículos franceses adaptados para o E85 carecem dessas inovações, e a inclusão de 15% de gasolina na mistura parece insuficiente para mitigar o problema de ignição a frio na França.