Volkswagen tem quase 3 mil carros inacabados à espera de peças

Montadora corre contra o tempo para finalizar os modelos até o final de dezembro, antes da nova lei de emissões

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A Volkswagen segue ajustando a produção de veículos em Taubaté (SP), unidade que desde a semana passada teve a produção interrompida pela falta de componentes na linha onde são montados os modelos Gol e Voyage. Por causa da falta de chips, aguardam para serem montados no pátio da fábrica 2,8 mil veículos inacabados, informou uma fonte ligada à fabricante.

A montadora confirmou à reportagem que há veículos para serem montados em seu pátio, sem revelar quantos, e que eles deverão ser finalizados até o final do ano para atender às exigências da nova fase da lei de emissões do Proconve, a L7. Considerando a produção de 300 unidades por turno na fábrica, o contingente de veículos incompletos seria equivalente a algo em torno de nove dias de produção.

A fonte contou, ainda, que os veículos inacabados compartilham espaço com uma espécie de estoque misto da montadora, composto por unidades prontas do Gol e do Voyage e, também, de modelos produzidos em outras fábricas VW.

A unidade parou de produzir na quinta-feira, 4, e ficou inativa até última quinta-feira, 11. A expectativa da fabricante, disse Claudio Batista, o Claudião, presidente do sindicato dos metalúrgicos local, é a de que a unidade volte a produzir logo após o feriado da Proclamação da República, na terça-feira, 16.

“A produção voltou na quinta-feira porque chegou um carregamento de peças”, disse o representante dos trabalhadores.

O cenário visto em Taubaté não é exclusivo da Volkswagen. A falta de componentes afeta também outras fabricantes de automóveis que mantém produção no País, que trataram de ajustar a demanda ao ritmo de produção, seja concedendo férias coletivas, negociando lay-off com os sindicatos dos metalúrgicos ou, em casos mais graves, adotando o PDV, que é o Plano de Demissão Voluntária.

Mais de 7 milhões de veículos deixaram de ser feitos no mundo

Crise dos semicondutores A falta de semicondutores evitou que 7,7 milhões de veículos fossem produzidos no mundo em 2021, o que causou uma redução na receita global das montadoras de US$ 210 bilhões. No Brasil, a expectativa é a de que o abastecimento volte à normalidade em 2023, segundo as projeções da Anfavea. Enquanto isso não acontece, o setor observa há meses o nível de produção cair a níveis históricos por causa da crise dos chips.

Afora isso, há a questão da mudança da legislação que rege as emissões veiculares. Montadoras como a Volkswagen, que ainda possuem em sua gama modelos que atendem apenas a fase ainda vigente do Proconve, a L6, correm contra o tempo para escoar estes veículos antes que a L6 deixe de vigorar.

Não será tarefa fácil considerando dois fatores. “Pesam contra o fator logístico, como o transporte marítimo e terrestre dos componentes no País, considerando a disponibilidade de navios e a possibilidade de greve dos caminhoneiros. E, também, o fator estratégico, uma vez que os chips comprados chegam primeiro em modelos que entregam maior rentabilidade”, disse Fernando Trujillo, consultor da IHS Markit.

O saldo da crise, por ora, mostra que vendas de outubro e do acumulado do ano foram os piores dos últimos cinco anos, desde 2016 não se viam números tão baixos. Foram 162,3 mil emplacamentos de veículos leves e pesados no mês, número apenas 4,7% maior que o de setembro – até agora o pior mês de 2021 – e expressivos 24,5% abaixo do verificado em outubro de 2020.

As vendas de 10 meses totalizaram quase 1,74 milhão de unidades, ainda 9,5% acima do mesmo intervalo do ano passado, mas o crescimento não deve ser sustentado até o fim de dezembro. Os estoques de veículos completos continuam nos mais baixos níveis históricos: os pátios das montadoras e concessionárias tinham 93,5 mil veículos em outubro, o equivalente a apenas 17 dias de vendas.

A produção de veículos, por sua vez, caiu 25% em outubro na comparação com o volume produzido em outubro do ano passado, somando 177,8 mil unidades. Foi o pior resultado para o mês desde outubro de 2016. No acumulado do ano, no entanto, a produção de veículos cresceu 16,7% sobre a base baixa que foi o atípico e pandêmico janeiro-outubro do ano passado.