Brasil pode perder produção de 260 mil veículos em 2021 por falta de semicondutores

Estudo da BCG aponta que de 5 milhões a 7 milhões de carros podem deixar de ser produzidos no mundo este ano

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falta de semicondutores

Falta de semicondutores

A severa falta de semicondutores que vem paralisando fábricas de veículos no mundo todo por custar ao Brasil mais de 200 mil unidades este ano. É o que sugere um estudo do Boston Consulting Group (BCG) com dados da IHS Markit apresentado na quarta-feira, 7, pela Anfavea, que reúne os fabricantes instalados no País. A consultoria calcula que 3,6 milhões de automóveis e utilitários leves já deixaram de ser produzidos no mundo todo no primeiro semestre por causa da escassez de chips. Até o fim do ano, a BCG estima que a perda de produção vai girar entre 5 milhões e 7 milhões.

A BCG separou em sete regiões no mundo o impacto da falta de semicondutores na produção veículos leves (veja infográfico mais abaixo). A maior perda até agora foi registrada na América do Norte, que deixou de fabricar 1,2 milhão de unidades no semestre passado, seguido pela Europa, que perdeu 875 mil, enquanto Japão e Coreia somados perderam 770 mil.

Na América do Sul houve redução de 162 mil carros e utilitários. Considerando que o Brasil responde por cerca de 80% da produção na região, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, estimou que nos últimos seis meses algo em torno de 130 mil veículos deixaram de ser produzidos no País. Para ele, a tendência é que este número deve se repetir no segundo semestre, o que levaria a uma perda aproximada de 260 mil unidades em 2021. “Tudo indica que o problema de fornecimento de semicondutores vai continuar no resto do ano e só deve começar a ser normalizado no seguindo trimestre de 2022”, lamentou.

 

Com a falta persistente do insumo eletrônico, este mês a Anfavea já ajustou para baixo as projeções de vendas e produção de automóveis no Brasil em 2021.

O estudo da BCG aponta que desde o último trimestre de 2020 o fornecimento de semicondutores à indústria automotiva global está abaixo das necessidades de produção, em uma situação que se agravou no primeiro semestre de 2021. A consultoria estima que a escassez de chips eletrônicos para os fabricantes de veículos e seus fornecedores só deve começar a se estabilizar na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2022, quando começarão a fazer efeito as medidas tomadas para restabelecer os suprimentos, com possível elevação dos estoques de segurança, para então atender os pedidos que ficaram para trás.

A BCG destaca que o desequilíbrio no fornecimento global de semicondutores resulta de uma combinação de fatores observados já no último trimestre de 2020, a começar pela alta de 10% a 15% na demanda por chips pelos fabricantes de veículos na comparação com níveis pré-pandemia, enquanto os principais fornecedores globais só conseguiram aumentar as entregas em 4%. Ao mesmo tempo, o incremento nos pedidos do setor foi impactado pelo aumento das encomendas de outros setores, como eletroeletrônicos.

No decorrer de 2021, a demanda do setor automotivo por chips continua alta e a capacidade de entrega dos fornecedores segue insuficiente, conforme indica o estudo da BCG. A situação piorou com o incêndio ocorrido em março na fábrica da Renesas Electronics no Japão, um dos grandes produtores de semicondutores, que só no fim de junho retomou a produção normal.

Algumas medidas para aumentar o fornecimento de semicondutores aos fabricantes de veículos devem fazer efeito já neste terceiro trimestre de 2021, mas como a demanda segue crescendo, o problema tende a persistir e pode ser agravado no fim do ano, quando o Natal costuma promover a elevação das vendas de aparelhos eletroeletrônicos, que concorrem com a indústria automotiva nos pedidos de chips.

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