Transformação digital é a nova revolução da qualidade automotiva

IQA debate os impactos das mudanças da indústria 4.0 dentro do #ABX20

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Revolução da qualidade automotivaRevolução da qualidade automotiva

A transformação digital é a nova revolução da qualidade automotiva. Foi a partir desta premissa que o IQA debateu os principais impactos dessa evolução em toda a cadeia industrial dentro da programação do quarto dia do #ABX20 – Automotive Business Experience, evento on-line que acontece até sexta-feira, 13. O Instituto da Qualidade Automotiva reuniu na quinta-feira, 12, diversos nomes do ecossistema para refletir sobre os vários aspectos que permeiam o tema central, como o futuro da qualidade na indústria 4.0, os próximos passos para a inovação e disrupção tecnológica, entre outros.

Ao abrir os trabalhos, o superintendente do IQA, Alexandre Xavier, destacou que neste cenário a entidade tem como principal papel o de se ajustar na mesma velocidade para apoiar a indústria automotiva e toda a sua cadeia. Por sua vez, Débora Bueno, especialista em inovação do IQA, apresentou parte dos resultados de uma pesquisa realizada pelo instituto com empresas da indústria sobre transformação digital e seus impactos na gestão da qualidade no setor automotivo. O levantamento contou com o apoio da Anfavea e do Sindipeças, bem como do CQual e de Automotive Business.

“A pesquisa mostrou que para a maioria absoluta dos respondentes [83%] o impacto da transformação digital na qualidade é muito significativo e entre as tecnologias que terão maior influência nessa jornada aparecem a conectividade, digitalização, automação, nuvem e big data”, elucida Débora Bueno.

 

Professor de pós-graduação em indústria digital do Instituto Mauá de Tecnologia, Evandro Gama lembrou que o setor automotivo caminha com a digitalização há anos, mas em diferentes níveis. Para ele, existem dois mundos, o das OEM (montadoras) e tier 1, bem equipadas e adiantadas na transformação digital, enquanto tiers 2 e 3 seguem com dificuldades, ainda atuando com raízes dentro da indústria 3.0.

“Quando se fala em inovação, devemos ter em mente sempre três pilares: pessoas, processos e tecnologia, e nem sempre todas as organizações estão preparadas para investir em tecnologia ou em treinamento. Precisa ter o conhecimento e isso se constrói com referências, além de mudança de mindset para atualização de toda a equipe”, disse Gama.

Desafios da transformação digital em toda a cadeia

É fato que a evolução da indústria a partir da transformação digital traz inúmeros benefícios, mas sua adoção implica em diversas mudanças internas, inclusive do status quo em termos de processos.

“A transformação e todas as suas ferramentas servem de apoio e base de informações para contribuir de forma positiva e agilizar todos os processos e até mesmo antecipar projetos industriais”, comenta.

O gerente de engenharia de protótipos da Volkswagen, Francis Aires, vai na mesma linha. “Temos uma redução significativa de tempo e investimento no desenvolvimento, principalmente na fase de protótipos, incluindo os testes virtuais, acelerando o início da produção do veículo”, indica.

O plant general manager da Schaeffler, Flávio Mateus, que participou do evento diretamente dos Estados Unidos, elencou que o papel da qualidade na era digital vai muito além de seu próprio departamento.

“Em termos de projeto, há uma abordagem muito mais detalhada do que era na indústria 3.0, então a qualidade deve fazer parte do todo, desde a área de projeto, para atender todo esse novo cenário do digital, que envolve não só o produto e o processo em si, mas como eles vão atender as novas exigências do consumidor final, que deve estar no centro das discussões. E neste contexto, os tiers 2 e 3 também terão que entrar na criação dessa qualidade digital”, comenta Flávio Mateus.

 

Sobre cibersegurança, tanto o executivo da Schaeffler quanto da PSA concordam que as tecnologias que garantem a proteção do projeto em todos os seus aspectos, seja fabril, seja no acesso às informações, geraram a necessidade de firmar novas parcerias, incluindo startups: são elas que têm know how para resolver com velocidade os problemas que antes não eram da indústria automotiva, o que também requer altos investimentos.

A disrupção como ponto de partida

Para o gerente senior da linha Automotive & Mobility Development da Ipsos, Paulo Rogério Gabriel, a quebra de muitos paradigmas que vêm com a disrupção causada pela evolução do meio digital é o ponto de partida para a reinvenção da qualidade em todo o processo. Colocar o cliente final no centro das discussões, assim como já acontece com outros departamentos, como projetos e atendimento, é crucial para endereçar os novos rumos da qualidade.

“A gente vinha nessa disrupção de se desprender da posse do carro, mas a pandemia trouxe de volta o porto seguro do veículo particular em termos sanitários, então é preciso partir da nova percepção do cliente”, pondera.

Os participantes do painel reconhecem que o Brasil evoluiu – e muito – em termos de qualidade não só de produto, mas de processos de ponta a ponta da cadeia. Basta lembrar de como eram os produtos oferecidos pela indústria há 30 anos, antes do País abrir a fronteira para importações de veículos e quando os carros nacionais foram comparados a carroças.

“A qualidade é muito abrangente para ser só uma área de auditoria. Além das mudanças estruturais, vale refletir que os profissionais da área também terão que enfrentar profundas mudanças para que ela possa permear em todos os demais departamentos da organização. Seguramente, a pessoa da qualidade será o maestro de toda essa orquestra da qualidade – a palavra é evolução em todos os sentidos”, analisa Raul Pereira, gerente de qualidade e meio ambiente da Elring Klinger.

 

Já o diretor global de qualidade da FCA, Richard Schwarzwald, reforça que a disrupção traz grandes oportunidades de conhecimento e novas maneiras de atuar, o que consequentemente tem a ver com a integração entre pessoas: “A aproximação com o cliente vem permeando todas as organizações como um todo no setor automotivo; vejo que a qualidade se tornou um estado em todos os departamentos e isso fez com que todos os profissionais evoluíssem muito em conhecimento de processos internos.”