Petrobras já refina gasolina mais eficiente

Refinarias já adotam especificação que valeria em 2022, com octanagem 93 RON e massa mínima de 715 kg/m3

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Gasolina mais eficienteGasolina mais eficiente

A Petrobras já produz em todas as suas refinarias gasolina mais eficiente, que funciona melhor em motores mais modernos e pode representar consumo de 4% a 6% menor. O combustível tem novas especificações de octanagem e massa previstas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que em sua Resolução 807/20, publicada em janeiro deste ano, determina que a partir de 3 de agosto próximo toda gasolina vendida no País tenha no mínimo 92 octanas medidas pelo método RON e peso mínimo de 715 kg por metro cúbico. A Petrobras se adiantou e passou produzir o derivado de petróleo com RON 93, o que só seria exigido a partir de 2022.

Segundo Rogério Gonçalves, especialista em combustíveis da Gerência de Desenvolvimento de Produtos da Petrobras, quando a empresa fez o ajuste de suas refinarias para produzir a gasolina sob as novas especificações, verificou que com as tecnologias já disponíveis era possível se adiantar à norma e produzir o combustível 93 RON – sigla em inglês para Research Octane Number, método de pesquisa mais usado na Europa, que avalia a resistência da gasolina à detonação com o motor carregado e em baixa rotação de até 3000 rpm.

Até agora no Brasil a classificação de octanagem utilizada era o Índice Antidetonante (IAD), uma média aritmética entre RON e MON (Motor Octane Number, medição com motor a plena carga e em alta rotação). A especificação vigente até agora no País era de gasolina com IAD mínimo de 87, número que poderia ser obtido com MON mais alto e RON baixo, por exemplo. Isso gerava distorções e prejudicava o funcionamento de alguns motores calibrados para funcionar com gasolina RON, especialmente os mais modernos que trabalham com taxa de compressão maior, como os turbinados e com injeção direta GDI.

NOVA GASOLINA PREVINE QUEBRAS E REDUZ CONSUMO

Gonçalves explica que foi justamente a constatação de defeitos gerados pelo combustível vendido no Brasil que motivou a ANP a adotar novas especificações. “Recebemos algumas reclamações de quebra de motores novos depois do abastecimento. Após algumas investigações, verificamos que o problema acontecia com o uso de gasolina que estava dentro das especificações IAD, mas tinha RON baixo”, conta. “Por causa disso, em 2017 a AEA (Associação de Engenharia Automotiva, onde Gonçalves é um dos diretores) solicitou à ANP uma nova especificação, o que foi feito este ano e atende ao pleito de algumas montadoras.”

Outra reclamação recorrente era o aumento de consumo, que pode ser decorrente do uso de gasolina com baixa massa, que torna mais “fraco” o poder calorífico do combustível. “Tínhamos à venda no País gasolina com massa baixa, chegamos a ver com 680 kg/m3, que aumenta o consumo. Por isso foi importante especificar o mínimo de 715 kg/m3 que passa a valer agora”, explica Gonçalves.

“A nova especificação é um progresso, assim como foi a eliminação do chumbo no combustível (em 1991) e a redução do índice de enxofre da gasolina em 2014 (de 200 para o máximo de 50 ppm)”, avalia Rogério Gonçalves.

 

De acordo com Gonçalves, a mistura obrigatória de 27% de etanol anidro na gasolina comum (25% na premium) em nada reduz o desempenho do combustível. Ele destaca que os motores flex (bicombustível) podem até ficar mais econômicos usando só gasolina, aumentando a autonomia em relação ao etanol, mas isso depende da calibração usada pelo fabricante.

Sobre a proposta de reduzir a proporção de água de até 7% no álcool hidratado vendido no Brasil, para a criação de etanol de alta octanagem, Gonçalves avalia que será difícil avançar no tema, pois a mudança afetaria todos os motores flex já em circulação já calibrados para funcionar com o atual nível de hidratação do biocombustível. “Esses motores poderiam passar a funcionar mal com um novo combustível. Além disso, também afeta o preço, pois é mais caro produzir etanol com baixa hidratação”, acrescenta.