Com pandemia, Mercedes-Benz atrasa entregas do novo Actros

Primeiras encomendas do caminhão seriam atendidas em abril e foram adiadas para junho

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Mercedes-Benz atrasa entregas do novo ActrosEntregas do novo Actros

Com a chegada da pandemia de coronavírus ao Brasil e a paralisação das linhas de produção por um mês e meio, a Mercedes-Benz precisou atrasar o início das entregas do novo Actros, caminhão extrapesado apresentado em setembro passado e que começou a ser vendido na Fenatran 2019, em outubro. Os clientes que encomendaram o modelo deveriam começar a receber primeiras unidades em abril, mas o prazo foi adiado para junho.

Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, avalia que o atraso de dois meses nas entregas não deverá prejudicar o desempenho de vendas do novo Actros para além do que a crise da pandemia já provoca. O caminhão atende especialmente a demanda de transporte do agronegócio, um dos poucos segmentos econômicos que continuam aquecidos no País, com expectativa de colheita recorde de grãos este ano. O Actros renovado chegará ao mercado depois da safra 2019/2020.

“Esse atraso não deve atrapalhar as vendas porque mantivemos o Actros atual (geração passada) em linha e os caminhões para atender esta safra já foram comprados no fim de 2019. O novo Actros deverá ser mais demandado para a próxima safra, com compras mais concentradas em outubro e novembro deste ano, quando os problemas serão menores, mas dentro de um novo normal depois da crise, com volumes menores”, avalia Roberto Leoncini.Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil

“Atualmente temos no segundo semestre uma safra de milho e algodão que muitas vezes tem demanda por transporte até maior do que no começo do ano. Por isso estamos ampliando a frota e planejamos comprar 10 novos Actros”, informa Adelino Bissoni, sócio da transportadora Botuverá em Rondonópolis (MT), um dos frotistas que já testou o novo caminhão Mercedes.

TESTES COM TRANSPORTADORES

O novo Actros já rodou mais de 100 mil quilômetros em testes com frotistas. Em Rondonópolis, localizada em região do Mato Grosso com forte demanda do agronegócio, a Mercedes-Benz emprestou no fim de 2019 quatro modelos 2651 do novo caminhão, de 510 cavalos, para serem testados em quatro transportadores. “Os resultados na vida real foram muito bons, o caminhão enfrentou melhor que os concorrentes as dificuldades das estradas de terra da região. Entregamos na prática o que prometemos no lançamento e deveremos ganhar muitos clientes com isso”, confia Leoncini.

Segundo ele, os modelos testados apresentaram consumo de 2,09 km/l, economia de 3% a 7% na comparação com dois concorrentes, e foi registrada redução de 33% nas paradas para manutenção. Aproveitando o embalo, uma nova versão de 530 cavalos do novo Actros entra em testes no mês que vem com o mesmo transportador. Veículos para test drive começam a ser entregues aos concessionários esta semana e uma.

“É sempre muito difícil o começo das vendas de um novo caminhão no mercado, mas com o novo Actros podemos dizer que tiramos nota 10 nesta prova. Pode-se ter vários problemas com um lançamento, mas neste caso não tivemos”, garante Leoncini.

MERCADO MENOR E PREÇOS MAIORES

Leoncini e o novo Actros: esperado sucesso de vendas é insuficiente para superar crise

Apesar dos bons resultados esperados do novo Actros, Leoncini reconhece que não será suficiente para superar a crise trazida pela pandemia de coronavírus. No início de janeiro a expectativa era que o mercado brasileiro de caminhões chegasse a 120 mil unidades vendidas este ano, mas com a instalação da crise esse número sumiu do horizonte com pesada retração da média mensal de vendas, que era estimada em 9 mil unidades/mês e caiu para 6,4 mil em março e 3,9 mil em abril.

“Houve um derretimento do mercado com queda de 56% na média mensal de vendas de caminhões no País. Ninguém esperava que a crise chegasse com tamanha velocidade. E são três crises simultâneas: a sanitária, a econômica decorrente da primeira e a política, que atrapalha a tomada de decisões. Com a tempestade perfeita que chegou fica muito difícil saber qual será o tamanho do mercado este ano. Só depois que os Detrans forem reabertos começaremos a ter sinais mais claros”, pondera o vice-presidente da Mercedes-Benz.

 

Leoncini conta que alguns segmentos não pararam: além do agronegócio “que mais uma vez vai salvar os negócios”, setores de transportes de químicos, gás, celulose, alimentos, bebidas e fármacos vão compensar parcialmente o tombo do resto da economia e sustentar as vendas de caminhões em 2020.

O executivo pondera que a cotação do dólar acima de R$ 5,70 vai beneficiar os exportadores, muitos deles compradores de caminhões, mas por outro lado esses veículos vão custar mais caro. “Estamos fazendo as contas porque voltamos a produzir agora (semana passada), mas será inevitável aumentar os preços, porque muitos componentes dos caminhões são importados. Era a última coisa que eu queria discutir nesse momento, mas não tem como segurar. Não sabemos ainda qual será o porcentual, devemos comunicar os reajustes em 1º de julho”, revela.

Apesar do esforço de nacionalização de componentes que a Mercedes-Benz vem fazendo para reduzir o impacto da alta do dólar sobre seus custos, Leoncini lembra que nem tudo é possível localizar, como no caso de sistemas eletrônicos não produzidos no País e cada vez mais presentes em veículos como o novo Actros.