Lítio: Estimulo à cadeia ou reserva de mercado?

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Comercialização de lítio no Brasil

É sabido que quase todas as propriedades de uma graxa são determinadas pelo tipo de espessante utilizado, ou seja, aquele agente engrossador do óleo lubrificante, entre os quais, destaca-se o sabão metálico. Ele é produzido a partir de uma reação de saponificação entre um álcali (normalmente um hidróxido de um metal) e um ácido graxo. Os metais mais utilizados nesse caso são o cálcio, o lítio, o sódio e o alumínio, e o sabão de lítio foi o que demonstrou um ótimo desempenho na maioria das propriedades requeridas (ver box anexo)
As graxas de lítio e de complexo de lítio representam, atualmente, mais de 70% do mercado brasileiro de graxas lubrificantes, correspondendo a algo em torno de 34 mil toneladas. Considerando que o hidróxido de lítio é a base do processo de saponificação na fabricação dessas graxas, temos uma visão clara da importância desse insumo para o mercado, em que observamos ainda alguns fatos agravantes das dificuldades já enfrentadas pelos seus consumidores, ou seja, pela indústria de lubrificantes.

Pedra de Lítio
Pedra de Lítio

Os últimos anos têm sido difíceis para a indústria brasileira, diante de um mercado em queda, uma inflação em alta e impossibilidade de expansão para outros mercados da América do Sul, devido à total falta de competitividade dos preços das graxas de lítio. No Brasil existe apenas um único fornecedor de lítio, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), que historicamente possui preços muitas vezes superiores aos praticados no mercado internacional, porém está protegida pelo Decreto nº 2.413, da Casa Civil da Presidência da República, publicado em 4 de dezembro de 1997, com a finalidade de “regular as atividades de industrialização, importação e exportação de minerais e minérios de lítio, de produtos químicos orgânicos e inorgânicos, inclusive suas composições, fabricados à base de lítio, de lítio metálico e das ligas de lítio e de seus derivados de interesse para a energia nuclear”. Esse decreto determina que, “até 2020, as operações de comércio exterior dos materiais de lítio somente serão realizadas mediante prévia autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)”. Na prática, de acordo com produtores de graxas, esse órgão tem liberado somente a quantidade máxima de 30Kg por ano, quando não impede a importação.
Considerando que uma tonelada de graxa consome em torno de 13 a 15Kg de hidróxido de lítio, estima-se um consumo brasileiro anual da ordem de 500 toneladas anuais desse insumo, somente para a indústria de lurificantes. Esse montante corresponde hoje a quase 90% da demanda total do país, que ainda apresenta outros segmentos como a indústria farmacêutica (2%), cerâmica e vidro (2%), corantes e pigmentos (2%), catalisadores (2%), tintas e vernizes (1%) e outros (1%), segundo dados da Abiquim. Todos esses segmentos estão também enquadrados na lei que exige anuência da CNEN para importação.
Para agravar a situação dos produtores de lubrificantes, está ocorrendo um crescimento mundial da demanda por lítio, para atender ao imenso mercado de baterias para celulares e, mais recentemente, ao mercado crescente dos carros elétricos. Esse aumento de demanda fez os preços internacionais também se elevarem de maneira significativa, continuando, entretanto, ainda mais baixos que do os praticados internamente.

O lítio no Brasil

A situação do lítio no Brasil é um ponto de grandes discussões entre órgãos do governo e empresas interessadas. Recentemente, foi realizado o II Seminário sobre Lítio, organizado pelo Centro de Tecnologia Mineral – CETEM, no Rio de Janeiro, em que diversas entidades relacionadas de alguma forma a esse mineral se encontraram para discutir as perspectivas tecnológicas e de mercado para os compostos de lítio, com especial atenção ao atendimento do setor de baterias para veículos elétricos e híbridos e da produção nacional de graxas lubrificantes.

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