Indústria 4.0: Um robô só não faz verão

224

A novidade despertou interesse: um programa de modernização tecnológica para a indústria 4.0, com linhas oficiais de crédito de R$ 9,1 bilhões. Divulgado no Estado de 15 de março, o programa prevê isenção de imposto para importação de robô e adoção de novas tecnologias.

Um robô só não faz verão… Nem indústria 4.0
Um robô só não faz verão… Nem indústria 4.0

A iniciativa tem relevância na busca por eficiência. Mas apenas o uso de robôs não é a essência da indústria 4.0. Estas máquinas já trabalham em diferentes setores empresariais no Brasil. O “x” da história é outro: para que são usados os robôs?

Montadoras, por exemplo, investiram pesado em robotização na fase mais dura da crise e com fábricas ociosas. Desde 2012, a Volkswagen instalou 2.187 robôs em três fábricas, nos setores de solda, pintura, chassis e carrocerias.

A Ford, em Camaçari, fez o mesmo. Motivo: reduzir custos de produção. Prestadoras de serviço também enfrentaram a crise com mais robôs. A concepção é simples: o que for trabalho rotineiro o robô faz melhor, mais rápido e mais barato.

O conceito indústria 4.0 vai além da redução de custo e, por essa razão, redefine tanto empregos e carreiras. O que mais interessa na adoção desse conceito é o uso de dados no processo de decisão, alterando toda a estrutura produtiva.

Artigo da Nature, de abril de 2017, analisou qual a ação oficial adequada para implementar a revolução digital. Os professores Erik Beynjolfsson (MIT) e Tom Mitchel mostram que cabe aos governos construírem nova estrutura de coleta de dados, inclusive com fontes privadas de informação.

Processos produtivos na indústria 4.0

Processos produtivos na indústria 4.0 passam a ser “inteligentes”, porque máquinas “conversam” com outras máquinas, guiadas pela “internet das coisas” e pelos dados coletados por “assistentes digitais”. Novos empregos e novas carreiras nascem dessa convivência com dados.

Robôs, trabalhando ao lado de humanos, neste conceito, apenas obedecem aos dados. Não o contrário. Na indústria 4.0 é o big data que dirige produção e consumo. É preciso entender que subsidiar crédito para compra de robôs apenas reduz custos, mas não prepara o futuro digital do País. Talvez, apenas o adie. (O Estado de S. Paulo)