Retrospectiva 2017: o que marcou o setor de motos?

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Retrospectiva 2017: Popularização dos scooters, freios mais eficientes, Salão Duas Rodas e outros acontecimentos relembram como foi o ano no segmento.

Retrospectiva 2017: o que marcou o setor de motos?
Retrospectiva 2017: o que marcou o setor de motos?

Retrospectiva 2017

Embora 2017 não tenha sido dos melhores anos para as motos, nem tudo foi ruim neste segmento. As vendas caíram em relação a 2016, mas a queda deu uma leve trégua nos últimos meses – ainda pouco para se falar em recuperação, mas suficiente para animar as fabricantes, que já projetam crescimento tímido de 5% para 2018.

Antes de planejar o ano que vem, Infomoto e UOL Carros relembram 10 fatos importantes que marcaram este ano para o setor de duas rodas.

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Scooters, como o Honda SH 150, caíram no gosto do consumidor brasileiro: vendas devem crescer 57% (Imagem: Divulgação)

Scooters caíram no gosto

No início de abril a Honda lançou o SH 150, terceiro scooter do seu line-up. Com visual requintado, rodas grandes (aro 16) e freios ABS de série, ele veio para disputar um segmento que não pára de crescer. Segundo a Abraciclo, associação dos fabricantes, as vendas dessa categoria devem fechar com aumento de 57% neste ano, passando das 37.293 unidades vendidas em 2016 para um patamar de quase 59 mil emplacamentos. Além disso, as opções também estão cada vez mais variadas: além do campeão de vendas PCX 150 e dos SH 150 e SH 300, a Honda ainda passou a oferecer o sofisticado (e caro) X-ADV. Já a Yamaha aposta no popular Neo 125 e no moderno NMax 160. Uma saudável disputa, na qual quem sai ganhando é o consumidor.

Marca nova no mercado

As crises econômicas e políticas adiaram, mas não cancelaram, a chegada da anglo-indiana Royal  Enfield ao Brasil. O plano era iniciar as atividades em 2016, mas somente em abril deste ano a fabricante (controlada pelo grupo indiano Eicher  Motors) desembarcou oficialmente por aqui, com subsidiária local e planos de longo prazo.

Os três modelos disponíveis têm visual clássico, mecânica simples e preço acessível – variando entre R$ 18.900,00 e R$ 24.500,00 – e são vendidos na única concessionária da marca, em São Paulo. Para o próximo ano, devem desembarcar por aqui outras motos globais do line-up da marca, como a trail  Himalayan de 400cc e os recém-lançados bicilíndricos de 650 cc.

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Royal Enfield chegou oficialmente ao Brasil em abril com três modelos importados (Imagem: Divulgação)

Freios combinados

Gradativamente os fabricantes passam a oferecer motos com sistemas de freios combinados, aprimorados, o que significa mais segurança para o motociclista. Neste ano, as versões populares da CG 160 (Start e Fan) e até mesmo a trail  NXR 160 Bros ganharam o conjunto que distribui a frenagem entre as duas rodas, caso o motociclista pise apenas no pedal de freio traseiro. Apresentada no início de dezembro, até a nova geração da Biz (110 cc e 125 cc) ganhou o sistema. Outras fabricantes, como Yamaha e Kawasaki, também lançaram modelos com esse equipamento.

Revolução custom

Em uma das maiores renovações de line-up em seus quase 115 anos de história, a Harley-Davidson revolucionou a linha Softail. Completamente renovada, com quadros e suspensões novos, os oitos modelos também receberam motor V2 de 1.745 cc com oito válvulas, chamado de “Milwuakee-Eight”. Mais leves, potentes e melhores nas curvas, as motos também ganharam visual mais jovem e “cara” de moto customizada — a mudança faz parte do plano da empresa de atrair novos consumidores e dobrar de vendas nos próximos dez anos.

Pequenas BMW

Em agosto as pequenas motos da BMW (finalmente) chegaram ao Brasil. Desenvolvida em parceria com a indiana Bajaj, a naked G 310R desembarcou com missão de atrair novos clientes e aumentar as vendas da marca — apesar da pequena capacidade cúbica, a linha G 310 trouxe soluções técnicas interessantes, como o cilindro inclinado para trás, suspensões invertidas e freios ABS de série. Com 34,4 cv, o motor monocilíndrico também vai equipar a futura versão trail (G 310 GS), que chamou a atenção do público no Salão Duas Rodas. Projetada para ser uma aventureira urbana, ela deve começar a ser vendida no primeiro semestre de 2018.

Renovação na Kawasaki

Mesmo com a crise a Kawasaki não deixou de renovar sua linha no Brasil, com diversos lançamentos ao longo de 2017. A popular linha de 650 cc mudou completamente: a pacata ER-6n foi aposentada e em seu lugar surgiu uma moto com visual radical, motor redesenhado e ciclística mais ágil, a divertida Z 650. Já a Ninja 650 herdou essa nova ciclística e teve seu design modernizado.

Sua irmã maior, a sport-touring Ninja 1000, também foi modernizada. Mas o lançamento mais esperado aconteceu em setembro com a chegada da Versys X-300, que inaugurou o segmento de aventureiras compactas. Equipada com o mesmo motor bicilíndrico da Ninjinha (a Ninja 300), mas com 40 cv, trouxe mais sofisticação e conforto para viajar do que as conhecidas trails de 250 cc do mercado. Mas isso tem um preço: salgados R$ 24.990.

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Entre os lançamentos da Kawasaki, destaque para a Versys X-300, que inaugurou novo segmento (Imagem: Divulgação)

Cinco anos de Brasil

Neste ano, a Triumph  comemorou cinco anos de operação no Brasil. A marca inglesa desembarcou em outubro de 2012 com subsidiária e linha de montagem própria em Manaus (AM), mostrando que acredita(va) no potencial do nosso mercado — a sede tem capacidade para produzir 7.000 motos/ano, praticamente o dobro do que é vendido atualmente. Nesta meia década, a empresa inaugurou 14 concessionárias (em praticamente todas as regiões do país) e vendeu cerca de 15 mil motos. A Tiger 800 é uma das bigtrails mais vendidas e modelo de maior sucesso da marca.

Salão Duas Rodas 2017

Mais importante evento do setor de motocicletas no Brasil e na América Latina, e edição 2017 do Salão Duas Rodas foi realizada no novo centro de exposições SP Expo (assim como o Salão do Automóvel de 2016). De casa nova, teve diversos lançamentos para todos os gostos, desde a Honda Biz até a exclusivíssima BMW HP4 Race, superesportiva de meio milhão de reais. Com diversas atrações, o evento injetou ânimo no setor e bateu recorde de público — segundo Leandro Lara, diretor da Reed  Exhibitions  Alcantara Machado, empresa organizadora da mostra, 242 mil pessoas visitaram o SDR este ano.

Nova Yamaha Fazer 250

Um dos maiores sucessos de venda e uma das motos mais elogiadas pelos donos, a Yamaha Fazer 250 mudou completamente em 2017. Desenvolvida por engenheiros do Brasil, Índia e Japão em conjunto, a street transformou-se em uma naked mais esportiva. Apresentada no Salão Duas Rodas, foi o principal lançamento da marca no ano. Ganhou quadro inédito e design moderno, mas manteve o motor de um cilindro e 250 cc. Além disso, recebeu farol e lanterna em LED e freios ABS de série.

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Completamente renovada, Fazer 250 ABS foi o principal lançamento da Yamaha neste ano (Imagem: Divulgação)

No fundo do poço? “Bora” subir

Acumulando quedas de vendas consecutivas nos últimos sete anos, as fabricantes comemoraram o fato de que devem fechar 2017 com os mesmos números do ano passado, com cerca de 900 mil unidades produzidas no total. Em outubro, a produção parou de cair e, em novembro, cresceu 5,6%. Para alguns, o mercado chegou ao fundo do poço, o que significa que agora deverá subir. A Abraciclo, associação dos fabricantes, projeta até crescimento de 5% para 2018. Embora tímido, não deixa de ser boa notícia para um setor que não parava de cair. Os juros baixos, a retomada lenta da economia e o aumento da confiança do consumidor são alguns dos motivos apontados para o otimismo da indústria.