Existe vida além do API GL-5?

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Existe vida além do API GL-5?
Por que a norma SAE J2360 é tão importante?

Por: Edson Fonseca Junior

Todos sabemos que no Brasil, devido à grande diversidade da frota de veículos comerciais, a escolha do lubrificante nem sempre é feita da maneira mais adequada. O processo de escolha do lubrificante, que por vezes considera apenas características físicas do produto, como viscosidade, tipo mineral ou sintético e desempenho através do nível API, pode vir a comprometer os equipamentos causando falhas irreversíveis. Com a modernização da frota e aumento da severidade do regime de utilização, notou-se a crescente demanda por componentes de eixos no mercado de reposição, revelando deficiências no desempenho proporcionado pelos lubrificantes que atendem exclusivamente à Norma API GL-5. Como resultado, a indústria de lubrificantes vem pressionando pela adoção da Norma SAE J2360, mais sofisticada, abrangente e robusta que a API GL-5.

O uso do lubrificante apropriado

O uso do lubrificante apropriado oferece melhor proteção para engrenagens, rolamentos, retentores e mancais, além de aumentar a eficiência do equipamento reduzindo o consumo de combustível e emissões do veículo. Quando pensamos em lubrificantes para eixos diferenciais, logo pensamos no tradicional API GL-5, que é uma especificação comumente usada para influenciar usuários.

Ninguém pode negar o valor de se estender a durabilidade e reduzir os custos operacionais dos veículos comerciais. Um fator fundamental é utilizar nestes veículos lubrificantes do mais alto nível de qualidade nos sistemas de transmissões e eixos diferenciais. A evolução e sofisticação dos equipamentos aliada à severidade operacional acabou por evidenciar de vez a baixa performance da norma API GL-5.

Veículos atuais imprimem maior severidade aos lubrificantes

O aumento da potência/torque do motor associado a temperaturas mais elevadas de operação, considerando a eficiência aerodinâmica dos veículos que reduz consequentemente o fluxo de ar e a capacidade de refrigeração do sistema que, por sua vez, conta com menor volume de fluido, são bons exemplos de como os veículos atuais imprimem maior severidade aos lubrificantes para os eixos diferenciais.
Sendo assim, especificações de desempenho mais exigentes e abrangentes para os lubrificantes são necessárias para garantir proteção, durabilidade e integridade dos equipamentos modernos.

Hoje, as prioridades em matéria de lubrificação de eixo diferencial são mais voltadas para proteção de superfície e fadiga dos componentes, devendo o fluido apresentar excelente estabilidade térmica, maior resistência à oxidação e compatibilidade com os retentores de vedação, tudo isso conduzindo a um aumento da durabilidade do sistema com menor índice de reclamações feitas pelo usuário.

Por exemplo, a Norma API GL-5 não contempla teste de compatibilidade do óleo com os retentores de vedação. Adicionalmente, a categoria API GL-5 também não contempla estabilidade ao cisalhamento, estabilidade térmica, danos aos retentores de óleo por acúmulo de depósitos ou mesmo desempenho comprovado em testes de campo (testes de campo nem sequer são requisitos da Norma API GL-5).

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