Indústria brasileira – Faturamento da indústria cresce 4,5%

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CNI diz que faturamento das indústrias subiu 4,5% em novembro, mas massa salarial caiu 2,1% Arquivo/Agência Brasil

A indústria brasileira registrou aumento de 4,5% no faturamento real e de 0,7% nas horas trabalhadas em novembro na comparação com outubro. As informações foram divulgadas hoje (13), em Brasília, na pesquisa Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados são dessazonalizados, ou seja, ajustados para o período em que foram coletados.

Os indicadores relativos ao mercado de trabalho, no entanto, continuaram a observar queda. O indicador do emprego recuou 0,3% na comparação com outubro, enquanto a massa salarial real caiu 2,1% e o rendimento médio real, 1,5% para o mesmo período. A utilização da capacidade instalada ficou em 76,6%, apenas 0,1 ponto percentual acima do piso da série histórica.

Atividade industrial

Para a CNI, os números de novembro da indústria brasileira não sinalizam recuperação da atividade industrial. A entidade destacou na pesquisa que “a comparação anual dos indicadores continua a mostrar quedas expressivas”.

O faturamento real, por exemplo, recuou 9,9% e as horas trabalhadas caíram 5,5% em novembro de 2016 na comparação com o mesmo mês de 2015.

 

A análise do Banco Central

(Reuters Brasil – Por Marcela Ayres)

BRASÍLIA (Reuters) – A atividade econômica voltou ao azul em novembro, divulgou o Banco Central nesta sexta-feira, também revisando positivamente os dados referentes a meses anteriores, mas num movimento que ainda não aponta uma retomada do crescimento após o país passar meses mergulhado em recessão.

Atividade Econômica do Banco Central

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 0,20 por cento em novembro na comparação com outubro, em dado dessazonalizado.

O resultado veio melhor que a retração de 0,10 por cento no mês estimada por analistas consultados pela Reuters. Também representou o primeiro crescimento mensal desde julho, quando o índice subiu, mas de forma bem modesta, de acordo com dados revisados pelo BC nesta sexta.

Na comparação com mesmo mês de 2015, o IBC-Br caiu 2,08 por cento. No acumulado em 12 meses, o tombo foi de 4,96 por cento, sempre em números dessazonalizados.

Em outubro, o índice sofreu uma contração de 0,15 por cento, número que foi revisado pelo BC nesta sexta-feira após ter divulgado anteriormente um recuo maior, de 0,48 por cento para o mês.

O ano de 2016

Em todo o ano de 2016, o IBC-Br ficou positivo apenas em abril, junho, julho e novembro, além de ter ficado estável em setembro, sempre na comparação com o mês anterior.

Apesar da melhoria apontada na revisão de dados pelo BC, a própria autoridade monetária indicou nesta semana que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente ao reduzir a Selic em 0,75 ponto percentual, a 13 por cento ao ano, contrariando projeção dominante no mercado de um corte de 0,50 ponto na taxa básica de juros.

Newton Rosa – Economista-chefe da SulAmérica Investimentos

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a melhoria vista nos dados pode estar ligada a revisões referentes à produção agrícola ou mesmo à área de serviços. “Mas acho que isso não muda o quadro de fechar os dois últimos trimestres do ano passado ainda com variações negativas para PIB”, ressalvou ele, acrescentando que o resultado de novembro foi puxado pelas vendas no varejo em função da Black Friday, algo que não deve se repetir daqui para frente.

Vendas do varejo

No mês, as vendas do varejo subiram 2,0 por cento sobre outubro, no melhor resultado desde meados de 2013, mas num movimento de antecipação das compras de Natal com tendência de ser apenas pontual. Por sua vez, a produção industrial voltou a subir após forte queda no mês anterior, porém muito menos do que o esperado, com alta de 0,2 por cento sobre outubro. O setor de serviços também exibiu alta de 0,1 por cento na mesma base de comparação após três meses de queda, mas numa performance ainda tímida para apontar recuperação consistente. De olho nos dados fracos sobre a atividade, economistas preveem, na pesquisa Focus mais recente, uma expansão de apenas 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 na sequência de um recuo de 3,49 por cento estimado para 2016.

O IBC-Br incorpora projeções para a produção no setor de serviços, indústria e agropecuária, bem como o impacto dos impostos sobre os produtos.