Acordo entre Mercosul e bloco de países europeus pode beneficiar 322 produtos brasileiros, mostra levantamento da CNI

A Confederação identificou oportunidades para as exportações nacionais no contexto das negociações com a Associação Europeia de Livre Comércio (conhecida pela sigla em inglês EFTA)

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EFTA – Negociações oficiais

O lançamento oficial das negociações entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) pode criar oportunidades para a exportação de 322 produtos nacionais, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A instituição também identificou que um acordo com o bloco europeu, fora da União Europeia, dará acesso a um amplo mercado consumidor, cujas importações somaram US$ 294 bilhões no ano passado, e a um mercado de compras governamentais de US$ 85 bilhões.

O EFTA é formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, tem população de alta renda, desemprego abaixo de 5%. Apesar do elevado volume de compras, o Brasil exportou apenas US$ 2,5 bilhões para o bloco no ano passado, representando o 11º destino das vendas brasileiras.

Mercado Importador de peso

“É um mercado importador muito importante para a indústria brasileira. O governo terminou o diálogo exploratório com o EFTA, etapa inicial para um acordo comercial, e verificou que não há confrontos de interesses, mas há oportunidades. Acredito que seja possível negociar um acordo com o EFTA ao mesmo tempo em que concluímos as negociações com a União Europeia”, avalia o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi. Mercosul e UE estão em negociação desde 1995.

O acordo com o EFTA pode se tornar o primeiro acordo do Brasil com países desenvolvidos. A CNI avalia que as negociações devem andar de forma mais acelerada, pois o EFTA já possui acordos de livre comércio com 27 parceiros, entre eles países como Chile, Colômbia, México e Peru, na América Latina. O bloco ainda negocia outros 10 acordos, como com a Índia, Rússia e Vietnã.

FIM DAS TARIFAS

Segundo a CNI, os acordos de livre comércio do EFTA oferecem de início a eliminação total de suas tarifas de importação para todos os produtos industrializados, considerando que as economias do bloco europeu possuem uma base industrial desenvolvida e diversificada. “Para o Mercosul, é importante negociarmos barreiras técnicas, fitossanitárias e sanitárias, além de picos tarifários em determinados produtos, pois as tarifas já são baixas. Seguramente, o acordo vai estimular os investimentos no Brasil”, diz Abijaodi.

O EFTA impõe o livre comércio para peixes e outros produtos marinhos em troca da redução das tarifas, pois o setor de pesca tem grande relevância na Islândia e na Noruega. Os acordos do EFTA se baseiam na OMC, mas  incluem temas novos para o Brasil como, por exemplo, compras governamentais, comércio de serviços, propriedade intelectual, compras públicas, barreiras técnicas e barreiras sanitárias e fitossanitárias. Atualmente, o Brasil só assinou um acordo incluindo esses temas. Negociado no ano passado, o acordo com o Peru aguarda aprovação do Congresso Nacional.

Tabela parceiros do EFTA

 

Embora estejam dentro de um bloco, os quatro países  negociam de forma separada. Veja quais são as oportunidades nas duas maiores economias do EFTA:

OPORTUNIDADES NA SUÍÇA

Um acordo entre Mercosul-EFTA abre oportunidade para 46 produtos industriais brasileiros já vendidos para a Suíça, como  suco de laranja, produtos laminados, metais, produtos de carne, embarcações e aeronaves. Este grupo de produtos paga tarifas específicas, que reduzem bastante a competividade exportadora.

Além disso, há outros 236 com exportação insignificante para o país que podem ganhar espaço. Entre eles estão: veículos automotores, produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos, produtos químicos, extração de minerais não-metálicos, produtos alimentícios, fumo, têxteis, confecção de artigos do vestuário, acessórios de couros, calçados, madeira, papel e celulose, derivados do petróleo e biocombustíveis.

OPORTUNIDADES NA NORUEGA

A presença dos produtos industriais brasileiros no mercado norueguês é pouco significativa e chega a menos de 1%. Desta forma, uma redução de impostos de importação e barreiras não-tarifárias poderá aumentar as exportações de 26 produtos, que já têm presença na Noruega, e de outros 233 que ainda não entram no país. Os setores potencialmente beneficiados são: veículos automotores, metalurgia, produtos químicos, produtos alimentícios, motores, bombas, compressores e equipamentos de transmissão, máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e na construção; tratores, máquinas e equipamentos para a agricultura e pecuária; produtos químicos orgânicos e, em particular, resinas e elastômeros, entre os produtos químicos.

COMPRAS GOVERNAMENTAIS

Estudo da CNI mostra que o mercado de compras governamentais dos países do EFTA gira em torno de US$ 85 bilhões e nenhum dos países dá preferência aos produtos e fornecedores nacionais. “O bloco mantém postura relativamente flexível nas negociações, o que permitirá acomodar os interesses das empresas brasileiras”, explica o diretor da CNI Carlos Abijaodi.

Apesar do pequeno porte dos países do EFTA, seus mercados de compras públicas, em conjunto, superam em valor o de diversos países latino-americanos. Mesmo respeitando algumas sensibilidades brasileiras, há  oportunidades interessantes de exportação em setores importantes da economia nacional.

Por Adriana Nicácio
Da Agência CNI de Notícias