Iveco e Nikola farão caminhões elétricos a hidrogênio em sociedade

CNH Industrial compra participação de US$ 250 milhões na empresa americana

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Caminhões elétricos
Os três cavalos mecânicos elétricos desenvolvidos pela Nikola serão industrializados pela Iveco, com tecnologia de células de combustível a hidrogênio

Caminhões elétricos

No mesmo dia em que a CNI Industrial apresentou na Bolsa de Nova York seu plano de negócios para os próximos cinco anos, a companhia também anunciou a compra por US$ 250 milhões de participação acionária de 7,7% na Nikola, empresa de Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos, que há cerca de dois anos vem desenvolvendo caminhões elétricos energizados por pilhas de hidrogênio, ou células de combustível – gerador eletroquímico que emite apenas vapor d’água. Com a sociedade, as divisões da CNH fabricantes de veículos comerciais e motores, respectivamente Iveco e FPT, vão se envolver na industrialização dos modelos pesados projetados pela Nikola, para tornar viável a produção comercial deles na Europa e Estados Unidos.

O negócio prevê que a CNH Industrial vai investir US$ 100 milhões em dinheiro na Nikola, os outros US$ 150 milhões serão pagos em serviços, com o uso da infraestrutura de desenvolvimento de produtos, engenharia, manufatura e assistência técnica da Iveco e FPT, como meio de acelerar a produção dos três cavalos mecânicos Nikola ONE, Nikola TWO e Nikola TRE (este último um cab-over projetado especialmente para atender a legislação de mercados europeus).

O grupo CNH é o primeiro sócio investidor a comprar as ações série D correspondentes a 25% da propriedade da Nikola, que colocou recentemente os papéis à venda para levantar US$ 1 bilhão e assim viabilizar a produção de seus veículos comerciais pesados elétricos até o fim de 2020.

Pelo acordo, a Nikola irá formar uma joint venture com a CNH Industrial na Europa e fornecerá à Iveco e FPT suas tecnologias, incluindo a arquitetura das células de combustível, eixos elétricos, inversores, suspensão independente, tanques de hidrogênio líquido, sistemas eletrônicos de gerenciamento do veículo com atualização on-line na nuvem, protocolos de comunicação entre veículos e estações de abastecimento, além da própria rede de postos.

“Temos muita sinergia a trocar. A Nikola tem pronta a tecnologia das células de combustível que nós não temos como desenvolver no curto prazo, enquanto nós vamos fornecer a capacidade industrial de produção de caminhões que eles não têm”, disse Suzanne Heywood, presidente do conselho da CNH Industrial.

 

Modelo disruptivo

O modelo disruptivo de negócio da Nikola prevê produção e venda dos caminhões elétricos com custos de operação mais baratos do que um similar a diesel, por meio de contratos de arrendamento (leasing) que incluem todos os gastos: veículos, serviços, manutenção e até o combustível, fornecido por uma rede própria de distribuição de hidrogênio desenhada pela própria empresa. Além dos cavalos mecânicos, a Nikola também desenvolveu projetos de postos de hidrogênio, com produção, armazenamento e abastecimento em um mesmo local, onde o gás é produzido por eletrólise da água com energia limpa, fornecida por captação solar e geradores eólicos. O objetivo é fornecer um ciclo energético completo e livre de emissões.

Com esta proposta, a Nikola informa já ter recebido 14 mil pedidos de arrendamento para seus caminhões elétricos – 800 deles foram encomendados pela cervejaria americana Anheuser-Busch. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, serão oferecidos dois tipos de modelos elétricos: com células de combustível para rodar até 1,2 mil quilômetros com um tanque completo de hidrogênio, ou somente com baterias e autonomia de 480 km entre uma recarga e outra – estes devem competir diretamente com os Tesla Semi que o empresário concorrente Elon Musk promete lançar.

“Chegou o tempo de finalmente fornecer uma solução de emissão zero para o mercado de caminhões pesados. Enquanto outros fabricantes avaliam que veículos com esta tecnologia não serão viáveis dentro do prazo proposto pelas autoridades legislativas, Nikola, FPT e Iveco estão provando com esta parceria que isso é possível”, afirmou Trevor Milton, fundador e CEO da Nikola Corporation.

 

Segundo Milton, a Nikola já tem o domínio da tecnologia, mas precisava de um parceiro com ampla rede de produção e distribuição na Europa para viabilizar seus caminhões pesados elétricos na região. Para isso, vai utilizar os canais de vendas, serviços e garantia da Iveco. “Com o investimento e parceria industrial da CNH Industrial, poderemos trazer caminhões livres de emissões aos mercados europeus. Ganhamos acesso a meios de manufatura, poder de negociação em compras, validação de componentes, engenharia e muito mais. Poucos agora irão duvidar de nossa habilidade de vender caminhões”, afirma o empresário.

Passo adiante

Para a CNH Industrial, a adoção da tecnologia das células de combustível é um “passo adiante lógico” em sua estratégia de desenvolver motores para veículos comerciais movidos a gás natural liquefeito, já que o hidrogênio pode ser produzido e distribuído pela mesma rede de abastecimento já instalada na Europa. Nas últimas duas décadas a FPT produziu 50 mil motores a gás, enquanto a Iveco lidera as vendas de veículos comerciais que rodam com o combustível gasoso na Europa, com 28 mil caminhões e ônibus a gás em circulação.

A CNH espera que a joint venture com a Nikola na Europa irá cobrir o desenvolvimento de veículos elétricos, a bateria e com células de combustível, que serão lançados até o fim de 2022. “A Iveco agora está idealmente posicionada para oferecer aos clientes um leque ainda maior de soluções de transporte, incluindo gás natural, eletricidade e células de combustível”, avalia Hubertus Mühlhäuser, CEO CNH Industrial.