Com novo Actros, Mercedes-Benz sobe a régua

Nova geração segue concorrência mais de perto; modelo atual seguirá em produção

86

Novo Actros

Com o lançamento da nova geração do Actros que começa agora a ser fabricado no Brasil, a Mercedes-Benz renova sua imagem e segue a concorrência sueca mais de perto, subindo a régua com adição de tecnologia, sistemas de segurança ativa, conectividade e promessa de até 12% de economia de combustível, além de custo de manutenção cerca de R$ 6 mil por anos mais baixo do que os principais concorrentes. Para Philipp Schiemer, presidente da empresa no Brasil, o lançamento “é o início de uma nova era da marca, com o primeiro caminhão digital do País”, disse o executivo na primeira apresentação pública do novo caminhão à imprensa na quarta-feira, 18, no campo de provas da fabricante em Iracemápolis (SP).

“Quando cheguei em 2013 o maior desafio era recolocar a Mercedes-Benz no alto da preferência dos clientes, principalmente no mercado de pesados. Desde então estamos fazendo isso e o novo Actros está no topo dessa estratégia. Ele é a base que vai apoiar nosso avanço para o futuro”, afirma Philipp Schiemer.

 

O novo Actros consumiu parte significativa do investimento de R$ 1,4 bilhão já aplicado desde o ano passado pela Mercedes-Benz do Brasil para instalar linhas de manufatura 4.0 em São Bernardo do Campo (SP) e renovar todo o portfólio de produtos no País. Não é uma simples cópia do modelo que começou a ser vendido na Europa em junho passado, mas um caminhão que foi desenvolvido pela engenharia local em paralelo com projeto europeu.

“Começamos a desenvolver aqui em 2013 com o objetivo de lançar na Fenatran de 2019, quase ao mesmo tempo com a Alemanha. Queríamos que o Brasil fosse compatível com a tecnologia global. Por isso o Actros brasileiro é uma combinação do que há de mais moderno em tecnologia com a robustez necessária para atender a diversidade e severidade das estradas brasileiras”, explica Schiemer.

Com essa estratégia, o novo Actros já nasce com grau de nacionalização maior do que a geração anterior. O caminhão agregou novos fornecedores à Mercedes e segundo Schiemer a intenção é nacionalizar mais. Uma das ações nesse sentido será localizar a partir de janeiro próximo em São Bernardo a produção da caixa de câmbio automatizada, atualmente importada de Detroit, Estados Unidos. A fábrica brasileira inclusive deverá exportar esta transmissão para outras unidades do grupo no mundo.


O presidente da Mercedes-Benz, Philipp Shiemer, apresenta o novo Actros produzido no Brasil: “Marco de uma nova era”

OFERTA MAIOR DE PESADOS

 

Os preços do novo Actros só serão divulgados na próxima Fenatran (14 a 18 de outubro no SP Expo), mas as primeiras entregas só acontecem no início de 2020. O caminhão deverá custar mais que a geração atual, encostando um pouco abaixo dos principais concorrentes, caso dos Volvo FH e nova geração Scania. Para evitar perder mercado, a Mercedes vai manter o Actros atual em linha pelo menos até o fim de 2020. “Preservamos o mesmo powertrain para as duas gerações, isso deve aumentar o valor de revenda do modelo antigo”, pontua Schiemer.

Com o crescimento do mercado de pesados, que hoje representam perto de 60% das vendas de caminhões no País, a expectativa da Mercedes é continuar a crescer no segmento em que já lidera, porque terá oferta maior de produtos nessa faixa. “Com o Actros e as modificações que já fizemos, o cliente de extrapesado voltou para a Mercedes. Agora aumentamos a oferta do modelo e adicionamos capacidade de produção, pois o novo será montado em São Bernardo ao mesmo tempo em que o antigo segue em produção em Juiz de Fora (MG)”, diz o vice-presidente de vendas e marketing Roberto Leoncini. Apesar de seguir montando a geração anterior do Actros, a principal função da planta mineira é soldar e pintar todas as cabines do portfólio e enviar para montagem no ABC paulista.

“Se o mercado crescer mais rápido, ter dois Actros e os Axor nos deixa em posição confortável para atender a demanda”, avalia Leoncini. Ele acrescenta ainda que a nova linha traz um inédito cavalo mecânico 4×2 para o portfólio do Actros, até hoje só disponível em configurações 6×4 e 6×2, o que aumenta a amplitude de clientes potenciais para o modelo.

Para Schiemer, a principal função do novo Actros será “consolidar a liderança de mercado que conquistamos com um marco tecnológico”. O executivo reconhece que será difícil crescer muito além do patamar atual: “Já estamos com 30% de participação no mercado nacional de caminhões, com um novo produto temos condições de aumentar um pouco, mas a concorrência é forte, temos de respeitar, somos humildes”, pondera.

Segundo Leoncini, ainda não dá para projetar para qual lado vão pender as preferências dos clientes e qual será a proporção de vendas entre a nova e velha geração do Actros. “Ainda não sabemos, vamos sentir esse termômetro na Fenatran. Alguns frotistas vão querer continuar com o modelo atual para pagar menos, enquanto outros vão fazer contas e ficar com o custo de operação menor do novo Actros. Nossa tarefa é mostrar isso aos clientes”, afirma.

“O novo Actros vem para aumentar nossa vendas e reagir à concorrência, que subiu o nível da categoria nos últimos anos. Pela primeira vez em muito tempo temos uma conjunção de fatores a nosso favor. Demos o passo certo no momento certo para crescer”, diz Roberto Leoncini.

 


O vice-presidente de vendas e marketing Roberto Leoncini na apresentação do novo Actros: mais pesados para vender

DESENVOLVIMENTO LOCAL

 

Leoncini destacou que o desenvolvimento local do novo Actros é fundamental para assegurar o sucesso do modelo no mercado brasileiro. “Não faremos mais a besteira de fazer aqui um modelo importado, que não atende as necessidades dos clientes. Desenvolver o produto aqui é essencial”, argumenta.

Adaptar para o Brasil a nova geração do extrapesado consumiu 20 mil horas de simulações da engenharia, 18 mil horas de testes físicos e 4 milhões de quilômetros rodados. O caminhão nacional tem especificações diferentes, como motorização, suspensão traseira metálica com coxins de borracha (para ser quase tão confortável quanto a pneumática, mas mais robusta) e uma cabine com diferenças e resultados de melhoria aerodinâmica tão bons que a empresa irá oferecer a opção em versões do Actros na Europa.

A localização do Actros não significou perda de conteúdo tecnológico, como costuma acontecer no lançamento de veículos no Brasil. O modelo traz as principais tecnologias globais de série em toda a linha, com radar e câmera para fazer funcionar seus sistemas de segurança ativa como frenagem automática de emergência de terceira geração (ABA 3), controle adaptativo de aceleração e frenagem (ACC), alerta de permanência em faixa e sensores de ponto cego. Também tem navegação inteligente para economizar combustível, que antecipa a estratégia de aceleração e frenagem de acordo com a rota à frente, considerando curvas e a topografia.

Schiemer avalia que o novo Actros produzido no Brasil tem qualidades para conquistar novos mercados de exportação. “O caminhão combina tecnologia de última geração com muita robustez. Certamente existem mercados para ele em diversos países. Mas isso vem depois. Primeiro vamos consolidar o produto aqui”.