Índice Global de Inovação: O longo caminho do Brasil

Em artigo publicado no site O Globo Online, presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destaca que é preciso fomentar a formação de recursos humanos, técnicos e especializados, para lidar com as novas tendências

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A China

Enquanto isso, a China vem progressivamente avançando e já se destaca entre as 20 economias mais inovadoras do mundo, ao lado de países como Suíça, Estados Unidos, Noruega, Suécia.

O caso chinês é exemplar. No início do século, com investimento inferior a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento (P&D), a China ficava atrás do Brasil nesse indicador. Ao longo de quase duas décadas, o país asiático alavancou seus aportes para 2,11% do PIB em 2016, ao passo que o Brasil não ultrapassou 1,27% no mesmo período. Políticas de longo prazo e investimentos massivos em ciência, tecnologia e inovação ajudam a explicar o sucesso chinês. A meta é clara: ser potência tecnológica global até 2049.

A China não está sozinha. Ao contrário. É comum às lideranças econômicas globais investirem 2% ou mais do PIB em P&D, cientes de que é preciso inovar para aumentar a produtividade das empresas, gerar empregos de melhor qualidade e remuneração. Em torno da inovação, e não à sua margem, países como Estados Unidos, Alemanha e mesmo Israel constroem suas estratégias de crescimento e desenvolvimento.

Mobilização Empresarial pela Inovação

Este debate tem sido feito de forma permanente pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), movimento de empresários coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com os objetivos de tornar a inovação uma estratégia perene das empresas e de contribuir para a implementação de políticas de inovação mais efetivas no Brasil. Há mais de uma década, a MEI tem realizado diagnósticos e construído propostas que sejam capazes de melhorar o ambiente nacional de inovação, de modo a promover o aumento da competitividade brasileira.

As principais dificuldades a superar, assim como as inúmeras oportunidades para o país se tornar um protagonista em inovação, já foram mapeadas e debatidas com o setor governamental e acadêmico. É extremamente importante que as ações de governo, iniciativa privada e universidades sejam integradas. Só assim o ecossistema brasileiro de inovação poderá avançar de maneira decisiva.

Diretrizes

Três diretrizes, no entender dos líderes da MEI, são essenciais para o avanço da indústria e do país nessa área. A primeira é a definição de uma política nacional de inovação para viabilizar a transição para a economia digital. É urgente construir uma estratégia de longo prazo, que induza o aumento dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação pelas empresas, com metas claras e compartilhadas com o setor privado, como se vê nos Estados Unidos e na China. Trata-se de uma medida recomendada aos gestores públicos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em seu acórdão 1237/2019.

A segunda diretriz é a priorização de recursos estáveis para inovação em projetos relevantes para a sociedade, desenvolvidos em parceria de instituições científicas e tecnológicas com empresas. O Brasil faz ciência de ponta e pode fazer ainda mais. Trata-se de estimular a transformação do conhecimento gerado em valor econômico, como fazem os Institutos Senai de Inovação e Tecnologia e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que atuam com foco em resultados.

Fomentar a formação de recursos humanos

Foi identificada, também, a necessidade de fomentar a formação de recursos humanos, técnicos e especializados, para lidar com as novas tendências tecnológicas e exigências de mercado. Há consenso de que a qualificação da mão de obra é, atualmente, um dos maiores obstáculos ao aumento da produtividade e à inovação no Brasil.

Nesses tempos de profundas mudanças na natureza da competição, os dados do Índice Global de Inovação ajudam a identificar nossas lacunas e desvantagens para enfrentar os novos desafios. Mais ainda, reforçam a necessidade premente de revisão das políticas do Brasil nessa área. Com persistência, a economia brasileira será capaz de construir uma trajetória de inovação exitosa. Está passando da hora de o país dar prioridade absoluta a essa agenda.

O artigo foi publico no site O Globo Online nesta segunda (19).

Robson Braga de Andrade é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)