Anfavea irá revisar para baixo a projeção de exportações

Associação dos fabricantes admite ano perdido na Argentina, onde compras de veículos brasileiros já caíram 54% no ano

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Sem nenhum sinal de reação do mercado argentino, ainda o maior comprador externo de veículos brasileiros, a Anfavea, associação dos fabricantes no Brasil, admite que o ano está perdido no país vizinho e por isso terá de revisar para baixo sua projeção de exportações. Foram exportadas 181,6 mil unidades de janeiro a maio, em queda de 42% na comparação com o mesmo período de 2018.


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Com a queda de quase 60% nas vendas de veículos na Argentina nos primeiros cinco meses de 2019, o impacto é expressivo nas exportações brasileiras. Para se ter ideia de quanto, de janeiro a maio foram vendidos no mercado argentino apenas 107 mil unidades fabricadas no Brasil, o que correspondeu a 59% das vendas externas do setor e retração de 54% em relação às 233 mil unidades exportadas no mesmo período de 2018, que na época representaram 76% dos negócios.

Apesar do tombo no maior mercado externo para veículos brasileiros, em maio isoladamente as 42 mil unidades exportadas representaram alta de quase 21% sobre abril, ainda que em recuo de 31% sobre o mesmo mês de 2018. Segundo Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea, o movimento positivo de um mês para outro ocorreu por causa do aumento das exportações para México e Colômbia, que compraram cerca de 10 mil carros brasileiros em maio.

“Estamos buscando mercados alternativos, mas não é suficiente para compensar toda a perda na Argentina, que continua a ser um problema para nossas exportações e nada indica que a crise econômica no país seja resolvida este ano”, avalia Luiz Carlos de Moraes.

 

O desempenho das exportações também é negativo em valores. De janeiro a maio as vendas externas renderam faturamento de US$ 4,2 bilhões aos fabricantes de veículos no Brasil, em retração de quase 40% sobre o mesmo período do ano passado.

REVISÃO PARA BAIXO

 

Moraes admite que as projeções da Anfavea para exportações este ano terão necessariamente de ser revisadas para baixo. “Deveremos refazer as previsões no momento oportuno”, reconhece.

No início do ano a entidade estimava vendas externas de 590 mil veículos produzidos no Brasil, o que representaria queda de 6,2% sobre 2018. Contudo, o ritmo atual aponta para algo em torno de 450 mil unidades, o que corresponderia à baixa que ronda os 28%, muito acima do previsto.

O prognóstico é igualmente negativo para as exportações em valores, que não superaram a casa do US$ 1 bilhão em nenhum dos cinco primeiros meses deste ano, como ocorria sempre até agosto de 2018. Com isso, a Anfavea também deverá revisar para baixo sua projeção de US$ 13,9 bilhões exportados em 2019, para possivelmente menos de US$ 12 bilhões, o que significaria redução de 17% sobre o ano anterior.

EM BUSCA DE ALTERNATIVAS

 

Na avaliação de Moraes, o programa de incentivos à compra de veículos novos lançado este mês pelo governo argentino “pode ajudar nossas exportações, mas fica longe de resolver todos os problemas estruturais da economia na Argentina, que são bem maiores do que os do Brasil”.

Para tentar reverter os prognósticos negativos para exportações, Moraes defende maior ênfase na busca de alternativas, com possíveis negociações de novos acordos comerciais internacionais. “Existe a possibilidade de ampliar para caminhões o livre comércio com o México no ano que vem e as negociações com a União Europeia estão avançando, talvez tenhamos novidades ainda este mês. Mesmo que comece daqui a dois anos, a notícia de liberação comercial com a Europa já começaria hoje a afetar investimentos. Há também conversas com Coreia e Canadá”, aponta.

“A direção está correta. Em tese somos favoráveis à maior abertura comercial, mas temos de estar melhor preparados para competir nesse cenário”, pondera o presidente da Anfavea, que assumiu a posição há menos de dois meses com o discurso de aumentar a competitividade da indústria nacional de veículos pela via da simplificação do regime tributário do País e aprovação de reformas estruturais, como a tributária e da Previdência, ambas em tramitação no Congresso.

Contudo, Moraes reconhece que levará tempo para que eventuais reformas façam efeito na competitividade. Por isso, ele defende a retomada do Reintegra – sistema que devolve às empresas um porcentual dos valores exportados a título de devolução de impostos embutidos nas exportações – e uma rápida solução para a restituição dos créditos de ICMS que foram acumulados pelas montadoras em vendas externas, mas encontram-se retidos pelos estados que estão sem recursos para pagar essa dívida de alguns bilhões de reais.

“São medidas que corrigiriam certas distorções enquanto a reforma tributária não acontece. Isso ajudaria a aumentar a competitividade internacional. O fato é que existe ociosidade que gira em torno de 40% nas fábricas de veículos, a exportação é o caminho para resolver esse problema”, resume Moraes.