Ford sairá mais forte do sofrimento atual, diz Lyle Watters

Presidente da montadora na América do Sul vê novas oportunidades para desenvolver veículos na região

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Lyle Watters no lançamento da Ranger 2020: perspectivas de recuperação no Mercosul

Ford América do Sul

O presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, garante que a empresa vai superar as más notícias do começo deste ano, quando anunciou sua saída do mercado de caminhões e o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), e deverá sair fortalecida do momento de sofrimento atual. Em rápida conversa durante o evento de lançamento da Ranger 2020 em Mendoza, na Argentina, o executivo sugere que os planos globais da companhia abrem oportunidade para o desenvolvimento de novos produtos na operação da montadora no Mercosul, que envolve a fábrica de Camaçari (BA) no Brasil e Pacheco na Argentina.

Estamos passando por um momento de dor com o fechamento da operação em São Bernardo, que era necessário fazer. Mas seria pior para a imagem da empresa deixar tomar as decisões difíceis. A Ford sairá mais forte deste momento, mesmo que seja menor, é preferível ser uma empresa viávelLyle Watters - Presidente da Ford América do Sul

Fim da produção de caminhões

Sobre o fim da produção de caminhões, mesmo figurando como a quarta ou terceira marca mais vendida do segmento no Brasil, com mais de 10% de participação até o fim de 2018, o executivo repete que a operação não era rentável, estava fora do planejamento global da Ford e exigiria altos investimentos nos próximos anos, especialmente para adaptar os veículos à nova legislação de emissões Proconve P8, equivalente à Euro 6, que entra em vigor no Brasil a partir de 2022.

Além do fim dos caminhões, a Ford executa também um expressivo enxugamento do portfólio de veículos leves na região, pondo fim à produção das linhas Fiesta e em São Bernardo e Focus em Pacheco, restando assim apenas três carros fabricados no Brasil (Ka, Ka Sedan e EcoSport) e uma picape média na Argentina (Ranger). Com isso, a marca vem perdendo terreno, de janeiro a maio desceu para a quinta posição do ranking dos mais vendidos no País, perdendo quase um ponto porcentual de participação (de 9,4% um ano antes para 8,3% agora), com 86,4 mil emplacamentos, volume cerca de 2% menor do que o registrado nos mesmos cinco meses de 2018, na contramão do crescimento do mercado.

Desempenho negativo

Apesar do desempenho negativo, Watters diz que “a operação no Mercosul tem boas perspectivas”. Segundo ele, a decisão da companhia de sair de alguns segmentos, como o de sedãs na América do Norte, para centrar investimentos no desenvolvimento de picapes e SUVs mais rentáveis, abre oportunidades de desenvolver novos carros na região.

“Se a empresa parar de desenvolver certos tipos de carros nos Estados Unidos, por exemplo, [a operação] no Mercosul tem a oportunidade de desenvolver modelos para mercados de renda menor. Teremos novos e bons produtos na região que nos colocarão em outro nível anos à frente”, afirma Watters.

Cinco novos produtos globais na América do Sul

Recentemente, em apresentação de mercado durante a divulgação de seu balanço do primeiro trimestre deste ano, a Ford informou que pretende lançar cinco novos produtos globais na América do Sul este ano. Dois deles, o novo Edge importado e a Ranger argentina renovada, já foram lançados. Existe agora a expectativa que a região receba novos SUVs maiores que o EcoSport, como o Escape (Kuga na Europa) e o Territory, desenvolvido para a China e apresentado ao público brasileiro no Salão de São Paulo do ano passado.