Grupo Volvo investirá mais R$ 250 milhões no Brasil

Aporte será aplicado até o fim de 2020 e é adicional ao ciclo de R$ 1 bilhão que está em curso

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Com 300 novos contratados, segundo turno em fábrica da Volvo passa a funcionar em período integral a partir deste mês
Com 300 novos contratados, segundo turno em fábrica da Volvo passa a funcionar em período integral a partir deste mês

Grupo Volvo

Grupo Volvo anuncia investimento de R$ 250 milhões em suas operações no Brasil entre 2019 e 2020 como aporte complementar ao de R$ 1 bilhão anunciado em 2017 e que ainda está em curso. O recurso adicional contemplará medidas em todos os segmentos em que a companhia atua, desde caminhões e ônibus até máquinas de construção, motores marítimos e industriais, além de sustentar pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Segundo o presidente do Grupo Volvo para a América Latina, Wilson Lirmann, a decisão de elevar os investimentos no País se deve ao ritmo acelerado do mercado, que retomou o fôlego em 2018 e reverteu a curva de queda. Para dar conta da demanda crescente, a empresa confirma a contratação de 300 funcionários para sua fábrica de Curitiba (PR), conforme a própria fabricante já havia indicado no fim de novembro passado. Com isso, a empresa expandirá o segundo turno, que vinha funcionando no modo de meio período. Atualmente, a unidade conta com 3,7 mil funcionários, já incluindo os novos contratados.

Otimísmo

“Estamos otimistas com o momento de recuperação econômica”, disse Lirmann na quarta-feira, 13, durante uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo. “O mercado de caminhões cresceu muito acima das nossas expectativas em 2018 e só a Volvo cresceu 81%, com isso aumentamos nossa participação de mercado, avançando para 20,2%.”

Ele garante que as contratações feitas no início deste mês para expandir o segundo turno resolvem o gargalo que dependia da montadora para agilizar a produção, mas ainda há entraves em fornecedores, principalmente com componentes importados. Os modelos que a Volvo produz no Brasil contam com índice de nacionalização média de 65%. “Por outro lado, algumas áreas da fábrica já atuam em terceiro turno”, revela.

Mercado de caminhões

Lirmann lembra que as vendas do mercado de caminhões no ano passado saltaram fortemente graças ao segmento pesado, o que por sua vez foi impulsionado pelas atividades ligadas ao agronegócio. Em 2018, as entregas do segmento foram 85% maiores, com a empresa crescendo quase que na mesma proporção, de 81%. “Tivemos uma boa surpresa, com o nosso modelo pesado FH 540 6×4 se tornando o caminhão mais vendido de todo o mercado no ano passado, considerando todas as categorias”, comemorou.

Categoria de semipesados

Na categoria de semipesados, no qual a Volvo participa com o modelo VM, a fabricante registrou avanço de 66%, maior que os 32% de alta deste mercado. Além disso, anotou crescimento de 55% das entregas de modelos fora de estrada, enquanto este mercado subiu 23% no período. “Com o VM, alcançamos 10% de participação desse mercado”, informa o diretor de vendas para a Volvo no Brasil, Alcides Cavalcanti. “No off-road, com forte demanda do setor de cana-de-açúcar, fomos líderes com 46% de share.”

Lirmann diz que tudo o que a Volvo produziu em 2018 foi vendido: “Terminamos muito bem em termos de estoque, com quase nenhum caminhão no pátio: produzimos 15 mil, sendo 10 mil para o mercado interno e 5 mil para exportação”, disse.

Vendas deste ano deverão crescer

Animado com o rumo que o mercado de caminhões vem apresentando, Lirmann indica que as vendas deste ano deverão crescer acima dos 30%, para algo em torno de 65 mil, considerando apenas a categoria acima de 16 toneladas de PBT.

“Há indicadores macroeconômicos bastante positivos e favoráveis. Acreditamos na continuidade desse movimento para 2019. Ainda há pontos de atenção, como o déficit fiscal e o ambiente de negócio, que podem melhorar com reformas, além das soluções políticas”, disse.

América Latina

Já para a América Latina, ele prefere não arriscar um número. “A ambição é crescer em participação”, disse. A região, segundo ele, voltou a dar resultados positivos em termos de lucro no ano passado, após um resultado de quase empate em 2017. “Acredito que Peru e Chile deverão apresentar mercados estáveis este ano e que a Argentina deve ter uma virada da curva de queda em meados do ano”, comentou.