GM pressiona fornecedores por redução de preços

No plano de cortes de custos, montadora exige descontos extras dos fabricantes de autopeças

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GM pressiona fornecedores
Linha de montagem da GM em São Caetano: montadora quer peças mais baratas

GM pressiona fornecedores

Desde a semana passada e no decorrer desta fornecedores da GM Brasil estão sendo pressionados a reduzir preços dos componentes, dentro do pesado plano de cortes de custos da montadora no País, que também envolve a renegociação de acordos trabalhistas, redução de comissões a concessionários e tentativa de obter benefícios de governos municipais, estaduais e federal.

Segundo fontes envolvidas nas negociações ouvidas por Automotive Business, a General Motors quer a aplicação de descontos adicionais aos já negociados nos contratos de fornecimento, que usualmente preveem “ganhos de produtividade anuais” (eufemismo para reajustes negativos obrigatórios), com aplicação de porcentuais que variam de acordo com a empresa e o produto fornecido. Alguns fornecedores que já participaram dessas reuniões citam pedidos de reduções de preços de 3% a 5% para já, que seriam aplicados em cima das diminuições contratuais.

O problema é que boa parte dos descontos extras pedidos agora seria aplicada nos contratos antigos, de componentes para os produtos da linha atual de carros e motores da GM, que em alguns casos são frutos de projetos com 20 a 30 anos de idade, o que torna muito difícil reduzir ainda mais preços que já foram significativamente reduzidos ao longo de tanto tempo. “É impossível manter qualquer margem em cima de contratos assim”, destaca uma fonte.

“Posso negar o desconto agora e me apegar ao contrato, mas sei que nas próximas negociações de fornecimento posso ser excluído de novos fornecimentos”, explica outro fornecedor.

ANTECIPAÇÃO DE NACIONALIZAÇÃO

 

Outra pressão exercida pela GM sobre os fornecedores é pela antecipação de nacionalização de autopeças e sistemas. A partir de julho a montadora vai começar a produzir novas gerações de veículos e motores no Brasil, incluindo propulsores tricilíndricos 1.0 e 1.2 aspirados e turboalimentados que serão feitos em Joinville (SC), além dos novos Onix e Prisma em Gravataí (RS) e Tracker em São Caetano (SP). Muitos componentes desses produtos serão inicialmente importados e seriam nacionalizados gradualmente, com o aumento da produção local, no espaço em torno de um ano.

Contudo, compras em dólares e real desvalorizado afetam negativamente os resultados na região, o que fez a GM pedir o adiantamento do fornecimento local de algumas peças, em alguns casos reduzindo pela metade o prazo para o início das entregas de peças.