União Europeia define novas metas de segurança viária

Terceiro Pacote da Mobilidade quer reduzir pela metade as mortes e feridos graves nas estradas até 2030

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Metas de segurança viária

A União Europeia apresentou na quinta-feira, 17, o novo pacote de medidas voltadas à mobilidade que inclui um plano de ação com o objetivo de aumentar a segurança viária no longo prazo, denominado pacote de Regulamentação Geral de Segurança (GSR, na sigla em inglês), cuja meta é reduzir em 50% as mortes nas estradas e, pela primeira vez, reduzir na mesma proporção o número de feridos graves em acidentes, entre 2020 e 2030.

União Europeia define novas metas de segurança viária
União Europeia define novas metas de segurança viária

Para isso, a ideia é tornar os veículos ainda mais seguros adotando recursos adicionais de segurança, principalmente equipamentos de segurança ativa, que podem incluir sistemas autônomos de frenagem de emergência (AEB), assistência inteligente de velocidade (ISA), além de sistemas de alerta de mudança de faixa (LDW).

Pronunciamento da União Europeia gera contentamento

O anúncio gerou a comemoração por parte de alguns órgãos relacionados à segurança, como o Global NCAP: “Mais de 25 mil pessoas perderam a vida nas estradas da União Europeia no ano passado. Após um extenso processo de consulta, esta proposta para atualizar as regulamentações de segurança dos veículos deve ser muito bem-vinda, acelerando a implementação de tecnologia em veículos projetadas para proteger os usuários mais vulneráveis.

AEB e ISA são tecnologias comprovadas que contribuirão significativamente para o novo alvo proposto pela UE de reduzir pela metade as mortes e ferimentos graves em 2030. Nós encorajamos fortemente os Estados Membros e o Parlamento Europeu a adotar o pacote salva-vidas o mais rápido possível”, disse o secretário geral do Global NCAP e presidente do Stop the Crash, David Ward.

O diretor executivo do Conselho Consultivo Parlamentar para a Segurança dos Transportes (PACTS), David Davies, alerta que para alcançar os objetivos propostos, os equipamentos devem ser de série nos veículos e não opcionais. “Estas propostas da Comissão Europeia seriam um grande passo para a introdução de novas medidas de segurança rodoviária, uma das mais significativas nos últimos 20 anos”, disse.

Acea

A Acea, associação das montadoras instaladas na Europa, também emitiu nota na qual recebe com satisfação as medidas anunciadas pela Comissão Europeia. Segundo a entidade, algumas das propostas exigirão uma revisão mais aprofundada para garantir um foco nas soluções mais eficazes com o resultado positivo mais forte. “Os membros da ACEA reconhecem a importância de incluir recursos adicionais de segurança em novos tipos de carro”, afirmou em nota seu secretário geral, Erik Jonnaert.

Ao mesmo tempo, a entidade pediu que as sinergias sejam consideradas para evitar a solução do mesmo problema duas vezes. Por exemplo, acidentes causados por distração de motoristas já serão reduzidos por frenagem autônoma de emergência, que também previne ou reduz a gravidade das colisões frontais e laterais.

Embora reconhecendo a necessidade de abordar acidentes causados por excesso de velocidade, a Acea recomenda uma abordagem gradual para a introdução de sistemas de assistência inteligente de velocidade (ISA). Isso deve incluir o desenvolvimento e a implementação de soluções eficazes para fornecer informações confiáveis ao veículo, com base, por exemplo, em comunicações de curto alcance.

Com base em informações de câmeras de reconhecimento de sinais de trânsito e bancos de dados de limite de velocidade vinculados ao GPS, os sistemas de assistência de velocidade inteligente podem impedir que os motoristas excedam os limites de velocidade. No entanto, ainda há muitos problemas com infraestrutura.

O problema da sinalização de transito

Os sinais de trânsito não estão harmonizados em toda a Europa e a informação sobre os limites de velocidade não é suficientemente confiável. Os mapas digitais também não são totalmente preenchidos com informações de limite de velocidade para todas as estradas e os dados nem sempre são atualizados. Os sistemas baseados em câmera simplesmente não conseguem se antecipar a todas as situações, como por exemplo, quando os sinais de trânsito são cobertos.

“A tecnologia em veículos é apenas uma peça do complexo quebra-cabeça de segurança”, disse Jonnaert. “Se quisermos fazer progressos no novo objetivo da Comissão Europeia de reduzir as mortes e os ferimentos graves pela metade entre 2020 e 2030, precisamos dar mais ênfase em uma estratégia integrada de segurança rodoviária. Esta é a única maneira de garantir que veículos seguros sejam conduzidos por motoristas seguros em estradas seguras”.