Greve dos petroleiros piora situação do combustível

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Greve dos petroleirosGreve dos petroleiros

O caos instalado na economia por conta da greve dos caminhoneiros – que completa hoje uma semana no Grande ABC –, pode piorar. Isso porque os petroleiros anunciaram que vão cruzar os braços por 72 horas a partir de amanhã, em todo o País. Dentre outros pontos, a categoria também reivindica a mudança na dinâmica de preços dos combustíveis da Petrobras. Ainda não há previsão de normalização de abastecimento na região, e empresas do polo petroquímico começaram a paralisar suas operações por dificuldades na distribuição da produção e no recebimento de insumos.

Sindipetro SP

De acordo com o Sindipetro SP (Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo), aproximadamente 1.250 trabalhadores atuam no setor petroleiro na região, divididos entre a Recap (Refinaria de Capuava), em Mauá, e o CD (Centro de Distribuição) em São Caetano. A paralisação terá início à 0h de amanhã e vai até as 23h59 de sexta-feira.

Conforme o coordenador da regional Mauá do Sindipetro-SP, Auzélio Alves, esta será uma greve de aviso, sendo que, na sexta-feira, haverá outra votação sobre a continuidade da paralisação. “Tivemos assembleia na semana passada, mas já tinha um calendário aprovado para a categoria. Mudamos a greve para esta semana também como forma de solidariedade aos caminhoneiros. Estamos somando esforços nesta trincheira de batalha.”

Segundo ele, a refinaria de Mauá tem capacidade para receber carga entre 8.000 m³ e 10 mil m³ (metros cúbicos) para processamento. Já o armazenamento do CD, que costuma ficar na casa dos 40%, já está com 70% da sua capacidade.

Principais demandas

As principais demandas da categoria são a redução no preço de combustíveis e do gás de cozinha, manutenção dos empregos, retomada da produção interna de combustíveis, demissão do atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, além de se posicionarem contra a privatização da empresa.

Questionada, a Petrobras informou que foi notificada pelas entidades sindicais sobre a paralisação. “A companhia tomará as medidas necessárias para garantir a continuidade das operações. Sobre os impactos da greve dos caminhoneiros nas refinarias, informa que todas as suas unidades estão em operação. Onde há bloqueio nas vias de acesso, a empresa está buscando apoio das autoridades para que sejam tomadas medidas que garantam a circulação”, disse, em nota.

Caminhoneiros

O acostamento da Via Anchieta entre o km 23 e o km 25, sentido Litoral, em São Bernardo, continua ocupado por caminhões. Porém, de acordo com a Ecovias, concessionária que administra o SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), não há reflexo no tráfego de veículos.

Já a situação da venda do combustível para o consumidor direto segue sem previsão de ser normalizada nos postos de combustível do Grande ABC. De acordo com o Regran (Sindicato do Comércio Varejista Derivados do Petróleo), alguns locais abastecem carros oficiais de serviços essenciais, como os relacionados à Segurança, por exemplo.

O Cofip ABC (Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC) informou que em razão da greve dos profissionais de transporte de cargas as empresas do complexo industrial petroquímico devem iniciar a parada das operações, a partir de hoje, por tempo indeterminado. “Em consequência do bloqueio das rodovias, as empresas apresentam dificuldades com escoamento da produção e recebimento de matérias-primas”, informou, em nota.

Sindicato dos Químicos do ABC

De acordo com o presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Raimundo Suzart, o polo petroquímico emprega cerca de 2.600 a 3.000 profissionais diretos e 12 mil indiretos no polo. “As empresas não conseguem escoar a produção. Todo o setor de autopeças que trabalham com montadoras está com este problema também. O setor petroquímico e até mesmo os restaurantes industriais estão com dificuldade de insumos, estocagem, e não distribuem.”

Para o Cofip, a parada reflete drasticamente na economia da região, devido ao tempo em que a greve pode durar e ao processo logístico das empresas, que pode levar semanas para retomar na totalidade.

Apesar do posicionamento, a Braskem informou que, até o momento, todas as unidades industriais do País seguem em operação, e que a companhia vem tomando medidas para aliviar os impactos da paralisação dos caminhoneiros sobre a produção e as entregas. “A empresa avalia diariamente que novas ações precisa adotar e dará ciência delas a clientes, fornecedores e investidores”.