Renault cobra definição de regras para setor atuar

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O tom do discurso do presidente da Renault do Brasil, Luiz Pedrucci, na inauguração de uma fábrica de injeção de alumínio, ontem no Paraná, teria sido outro se ele o tivesse preparado há dois meses.

Renault cobra definição

À época a indústria automobilística esperava que o governo anunciasse um novo programa automotivo. Como isso ainda não aconteceu, Pedrucci decidiu aproveitar a presença do ministro Marcos Jorge de Lima, da Indústria, para relatar as preocupações com “essa incerteza”.

Renault cobra definição de regras para setor atuar
Renault cobra definição de regras para setor atuar

Mais tarde, em conversa com o Valor, Pedrucci disse que não ter um novo programa de direcionamento para o setor significa “não ter clareza de como os carros fabricados no Brasil vão ser daqui a três ou quatro anos”. O executivo refere-se ao Rota 2030, um plano que criou grande polêmica depois que membros da equipe econômica mostraram resistência à ideia de conceder às montadoras créditos tributários em troca de investimentos em pesquisa.

“Se esse programa não sair haverá um impacto no carro do futuro”, disse o executivo que há oito meses está no comando da filial brasileira da marca francesa. Para ele, sem saber quais serão as regras sobre questões como segurança dos carros e economia de combustível, o setor fica como se fosse “jogar na loteria”.

Ciclo de investimentos

Segundo Pedrucci, a fábrica inaugurada ontem termina um ciclo de investimentos que aconteceu porque a indústria automobilística tinha clareza das regras para o setor, que constavam no Inovar-Auto, o programa automotivo que vigorou entre 2012 e 2017.

A fábrica de injeção de alumínio é o quarto prédio que a Renault instala em seu complexo industrial inaugurado há 20 anos em São José dos Pinhais (PR). Absorveu R$ 350 milhões de um investimento de R$ 750 milhões, anunciado no início do segundo semestre do ano passado, e que incluiu a ampliação da fábrica de motores.

Numa área construída de 14 mil metros quadrados, a nova unidade terá capacidade produtiva anual de 500 mil blocos e cabeçotes de motor em alumínio, que até aqui eram importados. Essas peças serão usadas em motores de carros vendidos no Brasil e exportados. Aos poucos, afirma Pedrucci, os motores da linha que ainda levam esses componentes em ferro passarão a recebê-las em alumínio.

Segundo o executivo, a ideia de produzir essas peças ao invés de comprar vem da estratégia de elevar o conteúdo nacional nos veículos. Essa verticalização, diz o presidente, também está relacionada à tecnologia. O projeto envolveu cerca de 2 mil pessoas, incluindo equipes das outras marcas do grupo (Nissan e Mitsubishi) de outros países.

Injeção do alumínio

A injeção do alumínio é robotizada. O controle de qualidade é garantido por meio de equipamentos modernos, que incluem até tomografia computadorizada das peças. Por enquanto, a Renault está importando alumínio dos Estados Unidos para fundir as peças no Paraná. Mas, segundo Pedrucci, em breve a montadora escolherá um fornecedor local.

Além da unidade de motores e a nova, de injeção de alumínio, o complexo industrial da Renault inclui uma fábrica de carros e outra de comerciais leves.

A unidade que produz automóveis passou a operar em três turnos em outubro, quando foi lançado um novo modelo, o Kwid, e a direção da empresa percebeu crescimento na demanda no mercado interno e exportações.

A participação da Renault no mercado brasileiro ficou em 7,04% no primeiro bimestre, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos. (Valor Econômico/Marli Olmos)