Produtividade é questão-chave para 2018

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Produtividade é questão-chave para 2018, aponta estudo Cenários para a Indústria Automobilística. Quinta edição do levantamento evidencia os próximos desafios do setor e o descrédito do rota 2030.

Produtividade é questão-chave

A indústria automotiva brasileira enfim saiu do cenário de escassez e encerrou o ciclo de contração nas vendas. A questão é que a nova etapa não é exatamente de abundância, mas de ajustes e preparação para a fase de crescimento, com investimento em produtividade, em renovação de portfólio e na revisão dos processos.

Produtividade é questão-chave para 2018, aponta estudo Cenários para a Indústria Automobilística
Produtividade é questão-chave para 2018, aponta estudo Cenários para a Indústria Automobilística

Em suma, a busca é por eficiência. Essa é uma das conclusões do estudo Cenários para a Indústria Automobilística, realizado pela Roland Berger em parceria com Automotive Business para medir a temperatura da indústria. Em sua quinta edição, o levantamento teve recorde de participantes, com mais de 600 respondentes que atuam em diversos elos da cadeia de valor – quase metade deles em posições de diretoria, vice-presidência e presidência.

Material para pesquisa

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“É interessante notar que houve mudança de prioridades das empresas automotivas em relação a 2017. Enquanto este ano o foco estratégico está em ganhar produtividade, no ano passado a busca era por exportar mais e ajustar o quadro de funcionários e a capacidade produtiva”, avalia Rodrigo Custódio, diretor da Roland Berger, sinalizando que o panorama para o setor mudou.

Buscar novos mercados, diz, é outra meta importante, destacada por 30% dos entrevistados. A ociosidade continua como um desafio, aponta o estudo, e tende a oscilar entre 50% e 75%. Para 51% dos participantes, a lucratividade é a segunda grande barreira para a evolução do setor.

“A questão é relevante principalmente quando falamos de fornecedores. Para 49% dos respondentes, as fabricantes de autopeças do segundo nível (tier 2) precisarão de apoio financeiro em 2018. Com a alta do dólar e falta de caixa para investir, muitas empresas estão considerando firmar parcerias estratégicas (63% dos participantes).

É uma das principais tendências para este ano e um sinal de maturidade da indústria”, diz Custódio. De acordo com o levantamento, o segundo maior desafio para essas companhias é o custo da matéria-prima.

Rota 2030 em descrédito

O levantamento também mostrou que o setor automotivo faz esforço tecnológico no Brasil. Para a maioria dos profissionais (56%), digitalização e indústria 4.0 são as maiores tendências para a área de manufatura, à frente de aspectos como economia de energia e recursos e revisão de relações trabalhistas. “É um sinal de que as empresas querem estar prontas para uma retomada mais consistente”, observa o diretor da Roland Berger.

O Rota 2030, conjunto de regras para a indústria automotiva que deveria ter sido anunciado em agosto de 2017, é bem avaliado pelos profissionais que participaram da pesquisa, mas cai em descrédito pelo atraso na implementação. Para 31%, após tanta demora, o programa nem sequer deve entrar em vigor.

Ainda assim, 91% dos entrevistados afirmam que a estrutura da legislação é interessante, atendendo parcial ou amplamente às necessidades da indústria.

A cadeia produtiva entende que as medidas de apoio aos fornecedores são os aspectos mais importantes do Rota 2030, seguidas das metas de eficiência energética para os veículos vendidos localmente e de medidas de incentivo a pesquisa, desenvolvimento e engenharia.

A avaliação não é tão positiva quando se refere ao Inovar-Auto, programa que terminou em 2017. Apenas 25% dos participantes apontam que a legislação contribuiu de forma significativa para a indústria.

Otimismo moderado

O diretor da Roland Berger diz que a pesquisa indicou um otimismo moderado da indústria. Nos últimos anos as perspectivas foram revisadas para baixo muitas vezes, o que faz com que as empresas estejam cautelosas”, entende.

O levantamento indicou que 68% dos entrevistados apostam em crescimento de 5% a 10% das vendas de veículos leves, com apenas 19% dos participantes estão convencidos de que os emplacamentos poderão aumentar mais do que 10%. Já a expectativa para as exportações é de alta da mesma proporção, de 5% a 10%, segundo 51% dos entrevistados.

Apesar do horizonte positivo para 2018, as empresas acreditam que os picos históricos de vendas do mercado brasileiro só poderão ser alcançados novamente no médio prazo, a partir de 2022.

Depois da contração tão severa dos últimos anos, o setor de caminhões enfim trabalha com horizonte mais positivo. Dos respondentes, 38% apostam em aumento de mais de 10% dos emplacamentos e 46% em evolução de 5% a 10%.

Para a maioria, a evolução depende principalmente da expansão do PIB (Produto Interno Bruto). Oferta de crédito e confiança da indústria também são variáveis importantes para o resultado.

Na opinião dos participantes do estudo, o mercado internacional continuará com grande importância para escoar a produção brasileira de caminhões e ônibus: 49% acreditam que as exportações tendem a crescer de 5% a 10%.

Interesse nas divisões de pós-venda

Custódio destaca um aspecto interessante revelado pelo estudo, o maior interesse dos concessionários nas divisões de pós-venda e de veículos usados – negócios que não eram priorizados quando os emplacamentos de novos estavam em alta.

“É uma evolução importante”, diz. Para 70%, a pressão sobre as margens deve ser o principal desafio dos distribuidores de veículos. Parcela de 75% acredita que a digitalização é um processo relevante para o negócio, garantindo maior interação das marcas com os clientes.

Por outro lado, os profissionais reconhecem que há obstáculos para que essa tendência avance rapidamente nas concessionárias, com falta de conhecimento sobre o tema nas empresas e desafios para capacitar a equipe de vendas justamente em momento de dificuldades econômicas.

O aumento das consolidações entre grupos de distribuição é outro caminho importante, apontado por 44% dos entrevistados.

Consumidores mais racionais

Entre os participantes da pesquisa, 72% entendem que o preço seguirá como aspecto mais relevante para que o consumidor decida pela compra de um modelo, seguido de marca e design exterior. Já 52% avaliam que o cliente dará mais atenção ao custo total de propriedade do automóvel.

Com a evolução dos motores, cada vez menores e mais potentes, 60% dos entrevistados avaliam que os propulsores de 1.0 a 1.4 terão maior expansão da demanda.

Para 80% dos respondentes, os utilitários esportivos seguirão como segmento de maior crescimento. Entre os itens mais valorizados pelos consumidores, a pesquisa evidenciou ar-condicionado em primeiro lugar, seguido de direção hidráulica ou elétrica e de recursos de conectividade.

Entre as tecnologias mais avançadas, 63% dos entrevistados entendem que a tendência mais relevante para o Brasil nos próximos anos é a eletrificação, seguida por digitalização e conectividade e ainda por novos modelos de mobilidade.

Ainda assim, 32% reconhecem que a infraestrutura de recarga é um desafio para o avanço dos carros elétricos, além do preço elevado e da falta de incentivos governamentais.