EUA taxa aço e alumínio importados, mas abre brecha

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O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou ontem decreto que impõe tarifa de importação de 25% para o aço e de 10% para o alumínio. Após pressão de partidários, países aliados e empresas, Trump flexibilizou a medida, isentando Canadá e México e convidando outros países “amigos” a negociar isenções caso a caso. A decisão afeta exportações brasileiras de aço.

EUA taxa aço e alumínio importados, mas abre brecha
EUA taxa aço e alumínio importados, mas abre brecha

A tarifa foi aplicada com base num dispositivo raramente usado e que permite proteger setores da economia sob o argumento de segurança nacional. “Temos de proteger e construir as nossas indústrias de aço e alumínio, ao mesmo tempo em que mostramos grande flexibilidade e cooperação com aqueles que são nossos verdadeiros amigos”, disse Trump na cerimônia na Casa Branca, ao lado de trabalhadores dos dois setores.

As novas tarifas entram em vigor em 15 dias, o que dá pouco tempo para os países negociarem com o governo americano.

A União Europeia e a China fizeram repetidas ameaças de retaliação contra os EUA antes do anúncio de ontem, mas não está claro se e quando adotarão medidas punitivas contra produtos americanos.

Se o fizerem, isso poderia desencadear uma guerra comercial em nível global, com amplo impacto negativo na economia mundial.

Além de retaliar, países atingidos podem recorrer à Organização Mundial do Comércio, que nunca julgou um caso de tarifa baseada em segurança nacional. Em 2002, os EUA impuseram tarifa ao aço importado, que foi condenada pela OMC após 18 meses e, em seguida, retirada por Washington.

O Brasil é o país exportador de aço mais atingido pela medida, por ser o segundo maior fornecedor dos EUA, atrás apenas do Canadá, que foi excluído das tarifas por ser sócio dos EUA no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), como o México.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, disse que a tarifa abrangente era necessária para atingir a China, que exporta pouco diretamente para os EUA, mas que imunda o mercado mundial com o seu excedente de aço, o que ajuda a derrubar o preço do produto.

“Nossas indústrias foram alvo por anos e anos de práticas estrangeiras injustas”, disse Trump, o que “levou ao fechamento de usinas” e à “destruição de comunidades inteiras”. “Isso vai acabar”, afirmou.

Políticos do Partido Republicano, de Trump, criticaram as tarifas. O presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, defendeu medidas “cirúrgicas e específicas” apenas contra o aço chinês triangulado por outros países. Um senador republicano disse que proporá uma lei para barrar as tarifas.

Críticos dizem que as tarifas não vão elevar a produção americana e vão encarecer o aço e elevar o custo para outras indústrias dos EUA. De Genebra

EUA: Trump esclarece medida

Donald Trump deixou explícito ontem que a sobretaxa unilateral dos EUA a importações de aço e alumínio não tem nada a ver com segurança nacional, mas é sim um meio de pressão sobre os parceiros – que poderá ser bem sucedido.

No teatro armado na Casa Branca, Trump avisou que será “muito flexível” com quem “tratar bem” os EUA. Primeiro, México e Canadá ficam de fora das sobretaxas, desde que aceitem nas próximas semanas assinar um novo acordo do Nafta, como os EUA querem.

Segundo, encarregou seu principal negociador comercial, Robert Lighthizer, de barganhar com países que pedirem exclusão ou modificação das sobretaxas. E praticamente escancarou o que espera de “aliados”: se pagarem mais pela defesa ocidental, podem ser retirados da medida unilateral.