Trabalho informal puxa geração de empregos em novembro

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O trabalho informal foi mais uma vez o principal responsável pela geração de postos de trabalho no país no período de setembro a novembro. Enquanto o número de pessoas empregadas no setor privado com carteira assinada recuou em 194 mil pessoas no trimestre encerrado em novembro, frente aos três meses anteriores, o total de trabalhadores sem carteira cresceu em 411 mil nessa mesma base temporal de comparação.

Trabalho informal

“É uma marca muita expressiva de trabalhadores não registrados. São pessoas que trabalhavam em obras, chão de fábrica, que buscam uma inserção no mercado informal”, disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Além do emprego no setor privado sem carteira assinada, outras inserções informais também registraram crescimento no período de setembro a novembro deste ano. É o caso do trabalho por conta própria, que inclui atividades como camelôs, pintores, motoristas de aplicativos de celular. Esse grupo cresceu em 193 mil pessoas frente ao período de julho a agosto deste ano.

Trabalho informal puxa geração de empregos em novembro
Trabalho informal puxa geração de empregos em novembro

“O mercado está gerando volume de emprego, mas é um trabalho precário, sem registro, o que é comum no momento de retomada. Com a massa de rendimento aumentando, com mais dinheiro circulando no mercado, começa um ciclo de compras e gastos. Mas você não formaliza ninguém vendendo quentinha na rua. Essa pessoa tem origem em algum outro emprego e vai retomar o lugar dela”, disse Azeredo.

Trabalho doméstico

Com ainda poucas oportunidades no mercado de trabalho, o número de empregados domésticos cresceu no país para o maior nível da série histórica da Pnad Contínua, iniciada no primeiro trimestre de 2012.

No trimestre encerrado em novembro, 6,379 milhões de pessoas estavam ocupadas em empregos domésticos, 217 mil a mais do que nos três meses anteriores (ou 3,5% a mais). Quando comparado ao mesmo período do ano passado, o aumento foi de 250 mil (+4,1%).

No início da década, o mercado de trabalho aquecido criou oportunidades de emprego com melhores salários, o que contribuiu para reduzir o trabalho doméstico no país. Isso foi verdade sobretudo para a parcela das mulheres mais jovens, que tiveram mais acesso à educação.

Dos trabalhadores domésticos, 90% são mulheres, 60% de cor preta ou parda. É a inserção com menores salários. De acordo com o IBGE, responsável pela pesquisa, o empregado doméstico ganha, em média, R$ 847. Esse valor considera o trabalho formal e informal, mensalistas e diaristas.

Falta de oportunidades

Segundo Cimar Azeredo, o aumento do número de empregadas domésticas está relacionado à falta de outras oportunidades, como uma espécie de válvula de escape para a sobrevivência. Por isso, o crescimento da modalidade é um dado negativo.

“O aumento tem mais a ver com falta de opção do que com maior capacidade das famílias brasileiras de pagar os salários desses empregados”, disse Azeredo. “Tem países em que essa forma de inserção nem existe. Isso vem do nosso processo de colonização, de escravidão. Não é positivo.”

Dois terços dos empregados domésticos são informais. Ao lado dos trabalhadores no setor privado sem carteira assinada e do avanço do número de contas, o trabalho doméstico foi uma das inserções que contribuíram para a retomada do emprego pela informalidade.

“São pessoas que vivem sem garantias trabalhistas, sem FGTS, sem contribuição para a Previdência, o que é ruim para o país e para a pessoa. É importante que as pessoas trabalhem registradas, seja como empregadas, conta própria ou empregadores”, acrescentou Azeredo.