Mobilidade urbana: novos apps são ferramenta para deixar o carro em casa

0
119

Na cidade de São Paulo, 70% da população considera o trânsito ruim ou péssimo e 71% das pessoas deixariam de usar o carro caso houvesse uma boa alternativa de transporte. É o que mostrou a oitava pesquisa sobre mobilidade urbana feita este ano com cerca de 1,6 mil pessoas pela Rede Nossa São Paulo e pelo Ibope.

Mobilidade urbana

Outro levantamento feito no ano passado em dez capitais brasileiras pela Vagas.com revelou que 45% dos usuários de ônibus avaliaram como péssimo ou ruim o meio utilizado. No caso dos trens, a avaliação foi bem semelhante: 44% dos passageiros reprovaram esse modelo de transporte. O estudo ainda investigou o meio de transporte preferido dos respondentes para ir e voltar do trabalho, caso pudessem escolher. Metrô e carro lideraram as preferências, com 30% cada. São poucas as linhas de metrô nas cidades brasileiras e o carro ainda é visto como um meio de transporte confortável. Mas será que ele é a melhor opção para as cidades e seus moradores?

A pesquisa da Rede Nossa São Paulo verificou que as pessoas gastam, em média, 2 horas e 53 minutos por dia para fazer seus deslocamentos em São Paulo. Para tentar desatar esse nó, especialistas são unânimes em dizer que o sistema de transporte público precisa ser eficiente, confortável e integrado. A tecnologia é uma grande aliada.

Moovit

O Moovit é um exemplo. O aplicativo fornece informações de transporte público, como itinerários e o horário em que o ônibus deve passar em uma parada. “Pensar integração é fundamental, pois o usuário precisa ter claro que aquele trecho pode ser feito com conforto se não usar o carro”, diz Fernando Matias, CEO Brasil da Easy Taxi, que acredita que ônibus, trens metrôs, taxis e bicicletários devem funcionar como uma combinação para as pessoas deixarem o carro em casa.

Mobilidade urbana: novos apps são ferramenta para deixar o carro em casa
Mobilidade urbana: novos apps são ferramenta para deixar o carro em casa

“O carro deve ser visto como um serviço, não como um bem. A tecnologia pode ajudar a fazer essa integração, inclusive prevendo como será feita a última milha. A pessoa precisa chegar ao seu destino com conforto”.

Scipopulis

A Scipopulis, uma startup de tecnologia e urbanismo, tem o objetivo de ser um aplicativo para os usuários e uma ferramenta para a gestão do transporte público da cidade. O aplicativo Coletivo, que já tem 15 mil usuários em São Paulo, informa em tempo real os horários de chegada dos ônibus, e a Plataforma da Mobilidade captura dados sobre o transporte público para os gestores alocarem os recursos da maneira mais eficiente para melhorar o sistema. A CET e a SPTrans já usam o sistema.

“Não é fácil derrubar a cultura do carro, que ainda é um sonho de consumo para muita gente. Mas o automóvel não é a solução. O transporte público e a mobilidade ativa são o caminho”, diz Ivo Pons, sócio-fundador da Scipopulis. A consciência de que o modelo estabelecido e focado no automóvel está superado é absolutamente clara e definitiva”, aposta o arquiteto e urbanista Luiz Eduardo Indio da Costa, que tem 50 anos de carreira e um currículo que soma cerca de 500 projetos.

Segundo ele, o automóvel, imaginado como a grande solução para a mobilidade urbana no século passado, passou a ser o maior problema das grandes cidades, gerando poluição e engarrafamentos constantes. “Toda modificação de hábitos sedimentados gera insegurança e uma reação conservadora. Entretanto, sinto uma clara tendência de substituir o carro por outros meios de transporte alternativos, sobretudo nas novas gerações de moradores urbanos”. (Valor Econômico)