Mudanças em carros desafiam engenheiros

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Criação de carros autônomos

O processo de criação de carros autônomos já começou. O grupo BMW trabalha numa fase de desenvolvimento que permite ao motorista tirar as mãos do volante por um breve período de tempo sem comprometer a rota. No próximo passo, o condutor poderá desviar completamente a atenção da pista e realizar outras tarefas. O automóvel será auxiliado por câmeras que vão monitorar os demais veículos e objetos ao redor. Na etapa seguinte, o motorista poderá até dormir em seu assento enquanto o veículo o conduz e, a partir de 2030, segundo previsões da indústria, ninguém vai precisar de carteira de habilitação para entrar num carro autônomo, que se movimentará sozinho.

O processo de mudança

Nesse processo de mudança, o doutor em engenharia Marcelo Massarani tem uma missão dupla. Ao mesmo tempo em que participa dos fóruns de discussões que movimentam os técnicos na indústria automotiva ele também ministra aulas a estudantes da escola Politécnica da USP, que, quando formados, terão de projetar peças e automóveis muito diferentes dos que circulam pelas ruas hoje.

Ruptura do conceito de mobilidade

‘Há uma ruptura do conceito de mobilidade”, afirma Massarani, coordenador do Simea, simpósio de engenharia automotiva que será realizado hoje e amanhã em São Paulo. Além de discutir o automóvel do futuro, os engenheiros automotivos também precisam lidar com a mudança de hábitos de transporte e o desencanto das novas gerações em relação ao que já foi desejo de consumo. “Meus alunos não têm o sonho de ter um carro”, diz.

Mudança de paradigma

Mas ao mesmo tempo em que a mudança de paradigma traz várias incógnitas, Massarani entusiasma-se com a possibilidade de a próxima política industrial para o setor, a chamada Rota 2030 abrir mais espaço para a pesquisa e desenvolvimento locais, o que pode valorizar os engenheiros brasileiros. Para ele, esta é, inclusive, a chance de estimular parcerias entre indústria e a área acadêmica. Massarani diz, ainda, que o futuro da matriz energética dos veículos produzidos no Brasil tende a ser uma das principais discussões daqui para a frente.

Entre os principais temas do simpósio, um evento anual, realizado há mais de 30 anos pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), estão o futuro da mobilidade, o veículo das próximas gerações e novas políticas para o setor.