Mitos e fatos na lubrificação de motores – 1ª Parte

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Gaston Schweizer
Gaston Schweizer

Gaston R. Schweizer

Graduado em Engenharia Industrial, com larga experiência em empresas de lubrificantes e diversos cursos de especialização, desenvolveu uma carreira com mais de 30 anos na Shell, STP e Repsol, tendo atuado como chefe de treinamento, coordenador técnico, responsável pelo atendimento às indústrias montadoras e de autopeças e obtenção de aprovações de produtos.

É muito comum existirem dúvidas, falta de orientação e até mesmo muitas fantasias com relação à lubrificação do seu automóvel. Aqui vão algumas dicas para que você possa ficar seguro na escolha do óleo e da hora de trocar.

Quem determina a quilometragem, a especificação e a viscosidade do óleo não é o fabricante dele, e sim o fabricante do veículo e as informações corretas se encontram no manual do carro.

Os frentistas e trocadores de óleo quase sempre recomendam o uso de aditivos, pois recebem comissão, brindes ou incentivos para tal (ora, então porque os fabricantes de óleo não o fabricam totalmente aditivado?). Já o fabricante do seu carro não o indica. Fiquemos com a última.

Aditivos suplementares podem danificar e envenenar catalisadores e filtros de particulados e também atacar os retentores de borracha do virabrequim e das válvulas, fazendo com que seu carro não passe nos testes de emissões e também aumentando o consumo e vazamento de óleo.

Aditivo de radiador normalmente é assim chamado porque é produzido concentrado e deve ser diluído com água na proporção indicada para operar corretamente no sistema, existem também destes já prontos para uso, que são mais baratos, mas você está comprando água envasada.

Óleo bom não é aquele que não baixa o nível e não precisa de reposição, e sim o que é consumido de acordo com o que especifica o manual do carro, lembrando que todo motor a combustão interna consome óleo.

A maioria dos frentistas sabem tanto sobre óleo quanto a sua sogra, e quando ele esfrega o óleo do seu carro entre os seus dedos para verificar se o mesmo ainda está em condições de uso, ele está apenas se sujando.

Verifique o óleo em um local plano e com o motor quente, mas após uns cinco minutos depois de desligado, é o tempo médio que ele leva para retornar ao cárter.

Quando o frentista tira, limpa, coloca a vareta de óleo do motor novamente e constata que o óleo está baixo, certifique-se que ele colocou a vareta até o final.

Não permita que mexam no motor de seu carro e que façam qualquer complementação sem você estar por perto para se certificar da real necessidade e da utilização do óleo correto.

O fato de o óleo sintético ter maior desempenho e manter sua viscosidade por mais tempo não quer dizer que seu intervalo de troca será maior.

A cor do óleo não indica que é hora da troca, sua viscosidade nem o desempenho, apenas a base e os aditivos. Ele pode adquirir uma cor mais escura após o uso, uma vez que retém fuligem e uma série de partículas em suspensão, e isso é bom.

Motores a etanol e a GNV mantém o óleo de motor na cor clara por mais tempo pois geram pouco particulado e fuligem, isto não significa que eles durem mais.

Você sempre pode usar lubrificantes de especificações de desempenho superiores em seu carro, mas sai mais caro. Por outro lado, optar por lubrificantes inferiores ao indicado afetará negativamente o desempenho do motor e do óleo.

O mais sensato é sempre obedecer ao manual do seu carro no que se diz respeito à lubrificação.

Quando um carro está com o motor necessitando de retífica, picaretas colocam óleo mais viscoso ou aditivos para encobrir o problema, o que reduz o consumo, a fumaça e os ruídos, mas fique atento para ver se o motor está “preso” e o consumo de combustível alto.

Se seu carro possui motor a gasolina, etanol, flex ou GNV utilize óleos indicados para motores com estas características, denominados motores de Ciclo Otto e não de óleos formulados para motores Diesel e vice-versa.

Alguns entendidos em mecânica dizem que óleo para motor Diesel de caminhão é superior a óleo de motor ciclo Otto pois estes motores geram mais fuligem e que são trocados em períodos superiores, não entre nesta, utilize o que é recomendado para seu carro conforme o manual.

É normal se encontrar óleos de motores que atendam a especificação de desempenho de óleos de motores Ciclo Otto e Diesel, mas não o top de ambas.

Óleos formulados para motocicletas podem ser utilizados em carros de passeio, mas normalmente são caros e possuem desempenho inferior, sua característica principal é não prejudicar o desempenho da embreagem banhada a óleo encontrada na maioria das motocicletas.

Óleos para motores de carros de passeio não são submetidos a testes de desempenho em embreagens banhadas a óleo das motos e podem fazer as mesmas patinarem.

Óleos de menor viscosidade são indicados para motores mais modernos e podem fazer o consumo disparar em motores não projetados para tal.

Não se assuste quando verificar que alguns fabricantes de câmbios indicam óleos de motores ao invés de óleos específicos para transmissões.

Kits e equipamentos para análise de óleo em campo normalmente não são confiáveis e foram desenvolvidos para convencer você a decidir pela troca, o ideal é que elas sejam realizadas em laboratórios dotados de equipamentos profissionais.

Continua no próximo artigo 

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